Parada Gay de São Paulo - Domingo, 06 de junho de 2010

Avenida Paulista recebe arco-íris inflável como parte da decoração para a Parada Gay
Foto: AE 



Muito mais que festa: a Parada do Orgulho GLBT de São Paulo e o direito à cidadania

Parada Gay deve atrair 3,2 milhões de pessoas em SP

No próximo domingo, dia 6, a Avenida Paulista será, mais uma vez, tomada pelas cores do arco-íris. Estão previstos cerca de 3,2 milhões de participantes para a 14ª edição da Parada do Orgulho GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais) — o maior evento do tipo em todo o mundo.

Apesar de muitos ainda pensarem que a Parada é “só festa”, é bom lembrar: não é enterro, então que bom que tem festa! Mas também não é diversão. A Parada é ato político, é grito coletivo, é espaço de visibilidade e reivindicação. E neste ano, isso está mais claro do que nunca.



“Vote contra a Homofobia: Defenda a Cidadania”

O tema da edição deste ano é um chamado direto e urgente: “Vote contra a Homofobia: Defenda a Cidadania”. Em pleno ano eleitoral, a organização da Parada pede que a população LGBT+ e seus aliados votem de forma consciente, apoiando candidaturas que defendam os direitos humanos e a igualdade.

“Votar contra a homofobia é dizer um basta às imposições de uma classe conservadora, que defende valores arcaicos, baseados unicamente em interesses próprios e sem visão democrática”, afirma Alexandre Santos, o Xande, presidente da Associação da Parada.

 


Mais que turismo: diversidade é cidadania

A Parada não movimenta só corpos e bandeiras — ela movimenta a cidade. Segundo o Observatório do Turismo de São Paulo, a expectativa é que os visitantes deixem cerca de R$ 190 milhões no município. A Prefeitura de São Paulo, inclusive, aumentou o investimento no evento de R$ 600 mil para R$ 1 milhão, buscando ampliar a segurança e a infraestrutura.

“A Parada é um evento inclusivo, moderno, que mostra a diversidade humana de nossa cidade e traz, com suas cores, a bandeira do respeito aos direitos humanos”, afirmou Franco Reinaudo, da Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual (Cads).

Mas atenção: o que está em jogo não é o dinheiro dos turistas, nem a projeção da cidade, nem o conteúdo fácil para os noticiários. É o direito de existir plenamente, com dignidade, segurança e visibilidade.



A programação do dia

A concentração terá início às 12h, em frente ao MASP, na Avenida Paulista. O trajeto seguirá rumo à Rua da Consolação e termina na Praça Roosevelt. Serão 17 trios elétricos animando os 3,5 km do percurso, com distribuição de preservativos e material de saúde preventiva.



Estrutura e segurança

Para garantir uma Parada segura e organizada:

  • 3 mil policiais militares e 700 guardas civis estarão a postos;

  • A GCM vai coibir o excesso de álcool e o comércio irregular;

  • Policiais bilíngues identificados com bandeiras do Reino Unido, França e Espanha ajudarão os turistas;

  • Será obrigatória a identificação em crianças;

  • Objetos cortantes e perigosos, como garrafas ou sombrinhas, serão apreendidos.

Além disso, o evento contará com:

  • 900 banheiros químicos, sendo 70 adaptados;

  • 15 caçambas de lixo ao longo do trajeto, com a proposta de uma Parada ecologicamente mais correta.



Interdições no trânsito

A CET informou que o trânsito sofrerá as seguintes alterações:

  • A Avenida Paulista será interditada a partir das 10h entre a Alameda Joaquim Eugênio de Lima e Rua Peixoto Gomide;

  • Após as 11h, a interdição será estendida até a Rua da Consolação;

  • A partir das 12h, o bloqueio incluirá:

    • Rua da Consolação (entre Paulista e Ipiranga, nos dois sentidos);

    • Consolação (sentido centro, pista esquerda entre Ipiranga e São Luís);

    • Rua Rego Freitas (entre Consolação e Major Sertório);

    • Av. Ipiranga (entre Consolação e São Luís).



Comentário deste blogueiro

Tomara que a mídia, a sociedade e o governo — e também os próprios participantes — compreendam o que está em jogo aqui.

Não é o lucro, não é a foto na capa do jornal, não é a pauta fácil ou o glitter do fim de semana. É o direito de uma parcela da população que é historicamente discriminada, silenciada e marginalizada pela ala conservadora, heteronormativa e patriarcal.

Que os GLBTTTs sejam os primeiros, mas não os únicos, a entender isso!

E que a imprensa cubra melhor essa manifestação — com mais profundidade e menos sensacionalismo. Não queremos só manchetes de números e confusões. Queremos debate, visibilidade e respeito.

Ah, e se você quiser pensar um pouco mais sobre como a mídia trata as Paradas, recomendo o livro A TV no Armário, de Irineu Ramos Ribeiro, publicado pelas Edições GLS. Vale a leitura.



Até domingo!

Vista sua cor mais vibrante, leve sua bandeira, seu orgulho e sua consciência. A Parada é de todas, todos e todes. Mas, acima de tudo, é um ato político por dignidade e respeito. Que a festa seja linda — mas que o grito de liberdade seja ainda mais alto.

🏳️‍🌈✊


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Jornalista lança livro que critica a postura preconceituosa da TV em relação a homossexuais.

"A TV no Armário"
A Identidade Gay nos Programas e Telejornais Brasileiros

Autor: Irineu Ramos Ribeiro
Editora: Edições GLS
Páginas: 136
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