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Paula, uma pessoa intersexo

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  Por Sergio Viula Decidi resgatar uma experiência que eu tive em 12/02/2103, na cidade de Fortaleza, CE.  Essa experiência de troca humana fantástica aconteceu na Praia do Futuro, que é pontilhada por barracas em estilo de choupanas. Tomei uns belos  drinks  (lembram?) e comi muqueca de arraia com um acompanhamento de arroz, maionese, batata frita e farofa - tudo simples, mas super gostosinho. O melhor de tudo porém, foi ter conhecido Paula.  Assim que cheguei, percebi que Paula era uma mulher especial, apesar de todas as mulheres terem algo de especial por natureza. Mas, Paula chamava atenção por ter alguns traços masculinos. De início, pensei que ela fosse uma mulher transexual em processo de feminização. Decidi seguir o caminho mais seguro para descobrir como ela se identificava - perguntei qual era o seu nome. Assim, ela poderia indicar se preferia ser tratada no feminino, como eu imaginava. Ela me disse que se chamava Paula.  Acontece que Paula  não  é transexual. De forma absolu

Parada do Orgulho LGBT de São Paulo 2017 - Já vai começar!!!!

Por Sergio Viula

Andre e eu no voo para São Paulo, inspirados pela revista Gol, que fez matéria de capa com Fabio Souza e Alexandre Herchcovitch. Revista número 183, junho de 2017.



Chegamos à linda cidade de São Paulo ontem, 17 de junho, por volta de 18:00. O clima estava e continua excelente. Além disso, o voo com a Gol foi rápido. Durou exatos 47 minutos e foi muito agradável. O ponto alto foi a revista GOL, edição 183, de junho de 2017, que trazia o casal Herchcovitch e seus dois filhos. A matéria estava tão boa que decidimos trazer a revista para casa - o que é permitido pela companhia.

Nossa hospedagem foi num hotel com estilo antigo, bem vintage mesmo, chamado Grand Corona. O atendimento foi excelente. Para minha alegria e do Andre, minha irmã e cunhada decidiram vir também e se hospedaram no mesmo hotel. Nosso café da manhã foi degustado há pouco e foi excelente.


Andre, Ismênia, Katia e eu no Tirrenos. Rimos muito com a Romagaga.




Momento diversão com Romagaga no Tirreno's


Daqui a pouco, faremos o check-out no hotel para seguirmos para a Avenida Paulista.

Diga-se de passagem que a cidade inteira estava preparada para essa grande celebração desde cedo, uma vez que várias atividades foram realizadas ao longo dessa semana que antecedeu a 21ª Parada do Orgulho LGBT. Bares, hotéis, Uber, restaurantes - todos os serviços estão dando boas-vindas aos participantes em alguma medida.


Um motorista do Uber nos contou que a empresa fez até oficina com os motoristas para conscientizar sobre diversidade sexual e de gênero e orientar os parceiros motoristas sobre como prestar o melhor serviço possível aos usuários. 

Plínio, o motorista que nos disse isso ontem completou: "Mas, eu nem precisava de oficina para saber disso. Sempre respeitei a comunidade." Adorei, mas completei: Infelizmente, nem todo mundo está sintonizado com a diversidade como você, meu amigo. Aliás,você é xará de um alto oficial e erudito romano, sabia? Dá um Google e confere só. Você vai adorar.

Bem, vou indo. A Parada está logo ali adiante, A concentração começa às 11:00.


Abraço a todas, todos e todes! :)

Veja imagens de dentro do avião na ida e na volta, bate-papo no quarto do hotel, flashes da Parada, etc.





Burger King corou os clientes com o arco-íris. 100 mil dessas foram distribuídas. Eu e Andre fazendo careta para o preconceito!



Uber arrasou também!








Parabéns à Skol, patrocinadora oficial da 21a. Parada do Orgulho LGBT de São Paulo




Andre e eu voltando para o Rio









JUNHO
18

A convite da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT SP), o presidente da Atea, Daniel Sottomaior,  proferiu um discurso  sobre Estado Laico durante o evento.
Segue abaixo a íntegra do discurso:

DISCURSO DO PRESIDENTE DA ATEA NA 21ª PARADA DO ORGULHO LGBT DE SÃO PAULO

“Bom dia, pessoal!
É um grande prazer e uma honra estar com vocês aqui hoje. Esta parada é provavelmente o maior evento do mundo com pessoas reunidas, ao vivo e a cores, pedindo laicidade para o Estado. Para quem milita pela laicidade há tantos anos, como eu, esta é uma visão esplêndida. Parabéns a todos que vieram aqui pedir “laicidade de verdade”. Nenhuma religião é lei!
Minha luta pessoal em defesa da laicidade começou há mais de dez anos. As organizações GLBT foram as únicas que me deram voz na época, o que me rendeu inúmeros convites para falar sobre o tema em seminários, congressos e outros eventos. A elas devo gratidão e reconhecimento por darem a devida importância a essa causa.
Hoje em dia presido a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, um grupo que tem importantes similaridades com a comunidade GLBT.  Segundo uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo, ateus são o grupo mais detestado do país. Por isso, muitos de nós também preferem ficar no armário a vida inteira. E a fonte que alimenta tanto o ódio a ateus como o ódio à diversidade sexual é o mesmo: a religião.
Por isso é tão importante manter a religião longe do Estado. No Brasil, faz muito tempo que o Estado não tem mais poder sobre a religião. Mas infelizmente, a religião continua tendo enorme poder sobre o Estado. E isso precisa acabar. O Estado não pode ser refém daqueles que estão interessados em nos marginalizar.
Em termos de laicidade, nossa constituição é um desastre. Seu preâmbulo tem uma citação religiosa. Ela estabelece o oferecimento de ensino religioso nas escolas públicas, dá imunidade fiscal para as instituições religiosas e o próprio artigo 19 que dispõe sobre a laicidade, abre uma enorme brecha para a religião sob a vaga rubrica de “interesse público”. Ora, o interesse público é laico!
E o resto da legislação brasileira não está em melhor estado. Poucas pessoas sabem, mas em 2010 o então presidente Lula assinou um acordo com a Sé de Roma (porque eu me recuso a chamá-la de santa sé). A chamada concordata com o Vaticano estabelece diversos privilégios para a igreja católica, incluindo o ensino religioso confessional em escolas públicas que está sendo questionado no Supremo.
A terceira versão do Plano Nacional dos Direitos Humanos, o PNDH-3, foi sancionada pela então presidente DIlma com um único veto: a proibição de símbolos religiosos em repartições públicas. As repartições públicas são rotineiramente utilizadas para afixação de símbolos religiosos e até para cultos religiosos. Existe uma profusão de feriados nacionais, estaduais e municipais de caráter religioso. E há rios de dinheiro correndo dos cofres públicos para patrocinar praças da bíblia, monumentos dizendo que “esta cidade é do senhor jesus”, shows religiosos e todo tipo de interesse religioso.
Muitas organizações religiosas têm usado seu dinheiro para eleger vereadores, deputados, senadores que trarão o retorno desse investimento através de legislação que privilegie grupos religiosos e suas ideologias. O poder legislativo foi tomado por representantes que querem um estado o mais religioso possível – desde que seja a religião deles, é claro.
O fundamental aqui é que temos que parar de fazer da laicidade apenas um discurso. Pedir por laicidade não trará laicidade. Precisamos, todos, tomar parte ativa. A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos todos os anos tem lançado dezenas de representações ao Ministério Público e proposto ações junto aos tribunais para restabelecer a laicidade do nosso Estado. Mas, sozinha, a instituição pouco pode fazer. Recorrer ao Ministério Público e à justiça é uma via acessível a todos os cidadãos e todas as instituições interessadas nessa causa.
Convido todos vocês que me ouvem a participar do ativismo judicial, como pessoas físicas e como instituições. Escrevam suas representações ao Ministério Público. Postulem suas ações na justiça pedindo que o poder público se abstenha de promover a religião. E financiem as instituições que, como a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, estão lutando por essa causa. Juntem-se a nós e poderemos mudar a cara do país.
Muito obrigado!”
São Paulo, 18 de Junho de 2017.





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