Pastor Flávio Amaral é indiciado por declarações transfobicas

Pastor é indiciado por homotransfobia após declarações contra Erika Hilton e jovens LGBTQIA+


Ministério Público apura ainda práticas de "cura gay" e "destransição" ligadas ao suicídio de jovem trans


Já não era sem tempo. Parabéns, deputada!


A Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual (Decrin), da Polícia Civil do Distrito Federal, indiciou o pastor evangélico Flávio Amaral (@prflavioamaralofc) por injúria e discriminação motivadas por homotransfobia. O indiciamento foi realizado na última quarta-feira, dia 2 de julho de 2025.

Amaral vinha sendo investigado por realizar palestras e postagens nas redes sociais com conteúdo discriminatório contra pessoas LGBTQIA+. Em uma das declarações que mais repercutiram, ele atacou diretamente a deputada federal Erika Hilton (@hilton_erika, PSOL-SP), ao afirmar:

> "Ela não deveria ser incluída no Dia das Mulheres, pois mulher não se vira, mulher se nasce."

Além desse episódio, Amaral atribuiu a depressão do padre Fábio de Melo à sua suposta homossexualidade, sugerindo que o religioso sofreria por “falta de sexo” — mais uma tentativa de ridicularização de pessoas LGBTQIA+ por meio de estereótipos e preconceito religioso disfarçado de opinião.

Outro ponto alarmante da investigação é o envolvimento do pastor com práticas de “cura gay” e “destransição”, que teriam sido aplicadas de forma coercitiva em jovens de sua igreja. A apuração ganhou força após o suicídio de uma jovem trans de 22 anos, frequentadora de sua congregação, que teria sido submetida a rituais religiosos com o objetivo de “reverter” sua identidade de gênero.

A denúncia foi apresentada ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) pela própria deputada Erika Hilton e pela vereadora Amanda Paschoal (@paschoal.amanda, PSOL), que vêm acompanhando o caso com atenção.

O pastor Flávio Amaral se apresenta nas redes como "ex-travesti" e defensor da ideia de que a homossexualidade pode ser “abandonada” por meio da fé, do jejum e da oração. No entanto, tais práticas são condenadas por entidades médicas e de direitos humanos por sua violência psicológica e potencial destrutivo à saúde mental de pessoas LGBTQIA+.

Com a conclusão do inquérito, o caso agora está nas mãos do MPDFT, que decidirá sobre a apresentação de denúncia formal à Justiça. Se condenado por todos os crimes, Amaral poderá cumprir pena de 6 a 15 anos de prisão.


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📌 Fonte: Gazeta do Paraná e Metrópoles

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