
⛪ Hipocrisia de batina: padres gays são expostos na Itália e Vaticano reage pedindo que “larguem tudo”
Roma, julho de 2010 – Um novo escândalo atingiu a Igreja Católica esta semana, e o que ele escancara não é apenas a vida privada de alguns padres, mas a hipocrisia institucionalizada que ainda domina o Vaticano.
A revista italiana Panorama, que pertence ao grupo do então primeiro-ministro Silvio Berlusconi, publicou uma reportagem explosiva com o título: “As Noitadas dos Padres Gays”. Usando câmeras escondidas, a equipe da revista passou um mês inteiro investigando três padres católicos em Roma. O que revelaram foram imagens e relatos de religiosos frequentando baladas gays, mantendo relações com outros homens e, depois, seguindo normalmente suas atividades na paróquia — inclusive celebrando missas.
A capa da revista foi simbólica e provocadora: um homem de batina, com o rosário nas mãos e as unhas pintadas de rosa. Uma imagem que resume bem o conflito entre o que a Igreja prega e o que de fato acontece em seus bastidores.
A reação do Vaticano: choque e… exclusão
Após a publicação, a Diocese de Roma, que é a maior da Itália, divulgou uma nota oficial dizendo-se “consternada” e exigindo que os padres homossexuais abandonem o sacerdócio.
“Aqueles que levam uma vida dupla, que não compreendem o que significa ser um padre católico, não deveriam abraçar o sacerdócio. A honestidade exige que eles se revelem.”
Ou seja: a Igreja reconhece que existem padres gays, mas não os quer dentro dela. O que ela deseja é que essas pessoas simplesmente desapareçam ou neguem sua identidade em nome de uma instituição que insiste em colocar a sexualidade como pecado, ao invés de aceitá-la como parte da humanidade.
Da homossexualidade à pedofilia: o desvio do foco
Esse escândalo veio num momento especialmente tenso para o Vaticano. A instituição já estava tentando conter os danos de uma série de denúncias de pedofilia e abuso sexual envolvendo clérigos, que abalaram sua credibilidade em diversos países.
Foi nesse contexto que o então número dois do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, resolveu fazer uma declaração bombástica (e absolutamente irresponsável): segundo ele, o verdadeiro problema da Igreja não seria o celibato, mas sim a homossexualidade entre os padres — como se ser gay fosse sinônimo de cometer crimes.
A declaração gerou repúdio mundial. Reduzir a sexualidade a uma ameaça, e pior, associá-la diretamente à pedofilia, não só é falso, como é perigoso e desumano.
O paradoxo da fé e da identidade
O Vaticano continua se dizendo defensor do “bem comum”, enquanto o Papa Bento XVI já declarou em diversas ocasiões que o casamento gay é uma “ameaça insidiosa” à sociedade. O que ele não diz é que, dentro da própria Igreja, milhares de religiosos vivem vidas secretas, oprimidos por uma doutrina que os obriga ao silêncio, à culpa e à negação.
É como se a mensagem fosse: “Pode ser gay, mas só se fingir que não é.”
E isso se repete com fiéis LGBTQIA+ que ainda tentam manter sua fé viva, mesmo dentro de uma instituição que os repele. Afinal, como pertencer a um lugar que insiste em negar sua existência?
Enquanto isso, nas ruas…
Enquanto o Vaticano pede que padres gays larguem tudo, nós dizemos: larguem vocês esse modelo arcaico e excludente de Igreja!
Queremos um mundo onde fé e diversidade possam caminhar juntas, onde ninguém precise se esconder atrás de uma batina ou de um armário. Porque o problema não é ser gay, o problema é viver sob um sistema que força pessoas a viverem vidas duplas e que ainda se diz “guia moral” da humanidade.
O imperativo moral da honestidade exige que todos se revelem – inclusive a Igreja.
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