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Tom Daley: Gay e ouro olímpico - por que isso importa?

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Tom Daley - campeão olímpico irradiando gay pride   Por Sergio Viula Por que o discurso de Tom Daley colocando-se como homem gay no pódio importa e faz diferença? Aproveitando para responder uma pergunta idiota feita num comentário de uma amiga que compartilhou uma postagem sobre o discurso do Daley. Assista.

Sábado de resistência e celebração na Bienal


Crivella cutucou a onça com (sua) vara curta

Por Sergio Viula



Saímos de casa sem um plano muito certo. A ideia era apenas dar uma relaxada ao ar-livre nesse feriado. Eu fiz questão de sair de camisa preta  para demonstrar meu luto pelas tragédias e disparates que vêm caracterizando a presidência, mas que também podem ser, em diversas medidas, estendidos ao governo estadual e à prefeitura do Rio de Janeiro. 

Andre e eu fizemos nossa caminhada por Copacabana, mas depois decidimos dar uma esticada até a 19ª Bienal do Livro do Rio de Janeiro, especialmente por ser a véspera do encerramento. Era agora ou nunca. ^^

Fizemos o percurso em duas etapas – uma parte da viagem de ônibus e outra de BRT. Quando chegamos à estação do BRT, encontramos uma fila exclusiva e civilizadamente organizada para uma composição que nos levaria até o Rio Centro. Já na fila, podíamos ver pessoas LGBT (ou não) orgulhosamente ostentando buttons com as cores do arco-íris, camisas com frases empoderadoras da diversidade sexual, além de outros acessórios.

Como chegamos por volta das 16:00, parte das manifestações de apoio à diversidade sexual na Bienal já haviam acontecido. Foi emocionante ver, através da mídia, as reações dessas pessoas em apoio à liberdade de expressão e ao pluralismo que caracteriza nossa democracia e que não pode ser negociado de modo algum.

Não pudemos ver a distribuição de milhares de livros (alguns falam em 10 mil, outros em 14 mil – de qualquer modo, é livro pra karaleo!!!) bancados por Felipe Neto e entregues ao público neste sábado para celebrar a diversidade sexual e resistir aos chiliques homofóbicos do prefeito do Rio, Marcelo Crivella.


Mas a resistência não pára aí. Depois de conseguir liminar na Justiça que proibia a prefeitura de confiscar livros no evento, a Bienal disse que vai recorrer ao STF contra esse ataque perpetrado por um prefeito que, como tal, não pode impor à sociedade as crenças que ele abraça no âmbito de sua vida pessoal.

O advogado, Dr. Paulo Iotti, já está se antecipando e conta com o apoio de várias entidades de representação LGBT na sociedade civil. Veja abaixo o que ele publicou há pouco:



De acordo com Mônica Bérgamo, escrevendo para a Folha de São Paulo, "Celso de Mello, do STF, diz que censura de livros se deve a 'trevas que dominam o poder do Estado'." - e acrescenta: "Para magistrado, ação na Bienal do Rio é fruto de 'mentes retrógradas e cultoras do obscurantismo'."

Mas, deixem-me contar para vocês como foi nossa experiência dentro da Bienal.

Entramos em dois stands onde havia livros LGBT, entre muitos outros, sendo vendidos. No primeiro, um romance me chamou logo à atenção: E se fosse a gente? Os expositores não colocaram muita “purpurina” em torno deste ou de qualquer outro livro. O romance homoafetivo estava ali, logo na entrada, bem visível, como qualquer outro romance. Perfeito! Mas sendo o dia de hoje o que veio a ser, depois do ataque de Crivellite (“ite” é sufixo de infecção no jargão médico) que a prefeitura esboçou contra as publicações que dialogavam com a diversidade sexual na Bienal, todo glitter era bem-vindo!

E foi isso que encontramos no stand da editora Rico. Todo o material LGBT tinha bandeirinhas com essa sigla nas cores do arco-íris. Fomos informados por Leonardo Antan, um dos autores de Cor não tem gênero, que essas marcações já estavam ali antes da polêmica, mas depois que Crivella tentou criar constrangimentos para a Bienal e para os expositores que estavam disponibilizando material com temática LGBT, eles decidiram acrescentar plaquinhas com os seguintes dizeres: Esses são os livros proibidos pelo Crivella (as palavras nas cores do arco-íris).

Mesmo sem grana no momento para investir nos livros que eu mais desejo, decidi empoderar a Bienal ainda mais. Comprei as seguintes obras (graças às Musas pela invenção do cartão de crédito):




Agora, a Bienal só tem mais um dia – esse domingo 08 de setembro. E, ao que tudo indica, vêm muitas emoções por aí. Não deixe de comparecer. E compre pelo menos um exemplar dos diversos livros com temática LGBT. Não existe melhor resposta a esses canalhas homofóbicos violadores da laicidade do Estado do que o empoderamento daqueles que, na contramão do fascismo e do fundamentalismo teocrático que os caracteriza, celebram a diversidade que nos é comum a todes, todas e todos.


ATUALIZAÇÃO EM 08/09/19 (DOMINGO):



MINISTRO DIAS TÓFOLI

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, suspendeu hoje uma decisão do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) que permitia a apreensão de livros com temática LGBT na Bienal do Livro no Rio de Janeiro. Toffoli atendeu a um pedido da Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge. Em outra decisão, o ministro do STF Gilmar Mendes também derrubou a decisão do TJ-RJ e classificou o episódio como censura.

Veja mais em https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/09/08/toffoli-suspende-decisao-que-permitia-apreensao-de-livros-na-bienal.htm


MINISTRO GILMAR MENDES

Para Gilmar Mendes, ação para recolher livros na Bienal foi 'verdadeiro ato de censura prévia'. Ministro concedeu liminar que proíbe a apreensão das obras no evento.

Veja mais em
https://epoca.globo.com/guilherme-amado/para-gilmar-mendes-acao-para-recolher-livros-na-bienal-foi-verdadeiro-ato-de-censura-previa-23935171


MINISTRO CELSO DE MELLO

"Trevas dominam o Estado", diz Celso de Mello, do STF, sobre censura a livros na Bienal do Rio. Ministro afirmou que buscou recolher história em quadrinhos com beijo gay é fruto de "mentes retrógradas".

Veja mais em
https://www.nsctotal.com.br/noticias/trevas-dominam-o-estado-diz-celso-de-mello-do-stf-sobre-censura-a-livros-na-bienal-do-rio


MINISTRO MARCO AURÉLIO

“É a visão dele, cada qual tire a sua conclusão. Quem sabe ele recolhe as TVs também. Estou cansado de ver beijo homossexual em novela”, ironizou Marco Aurélio, ressaltando que não vê problema nenhum na abordagem de personagens da comunidade LGBT.

“Estamos em pleno século 21, é preciso ter uma visão aberta, uma visão tolerante e distinguindo sempre religião e Estado, preservando a liberdade de expressão. Esta (a liberdade de expressão) é intocável em um Estado democrático, mas em um Estado totalitário, religioso, não”, completou.

Veja mais em
https://exame.abril.com.br/brasil/nao-vi-nada-de-mais-diz-marco-aurelio-sobre-livro-criticado-por-crivella/




Saiba mais sobre o que provocou essa reação fantástica da parte do público e da direção da Bienal aqui: 
https://www.xn--foradoarmrio-kbb.com/2019/09/crivella-ataca-bienal-do-livro-hq-da.html


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