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TESTEMUNHAS DE JEOVÁ E SEXODIVERSIDADE

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TESTEMUNHAS DE JEOVÁ E SEXODIVERSIDADE Por Sergio Viula Fundada por Charles Taze Russell em XXXXX, a religião conhecida como Testemunhas de Jeová é uma das mais totalitárias do mundo. Confundida por muitos com as igrejas evangélicas, a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, ligada ao Corpo Governante contava com mais de oito milhões e duzentos mil membros. No Brasil, são pouco mais que 700 mil seguidores e 11.562 Salões do Reino das Testemunhas de Jeová (seus templos) no mundo todo. Esses números são de 2014, ultima contagem publicada até o momento desse artigo. Entre suas crenças mais conhecidas e repudiadas estão a de não doar e nem receber sangue sob hipótese alguma e a de não participar da vida cívica do país em que estejam inseridas. Porem, muitas outras crenças são estranhas à maioria das comunidades ditas cristãs. As Testemunhas de Jeová não se consideram ‘evangélicas’ quando termo é aplicado a igrejas protestantes mais recentes e pentecostais, mas gostam de se denomina

TV norueguesa entrevista Eduardo Michels e fala sobre homofobia no Brasil






Por Sergio Viula




Eduardo Michels e Flavio Miceli são um casal que compartilha a vida há 23 anos. Os dois ganharam visibilidade nacional e internacional a partir de uma agressão sofrida no dia 21 de abril de 2017. Atualmente, Eduardo tem 65 anos e Flavio, 63. Os dois foram entrevistados para a maior rede de notícias da Noruega nesse mês de dezembro. A matéria foi ao ar no dia 24.




Agressão homofóbica




Eduardo e Flavio foram agredidos por vizinhos que faziam uma festa numa vila de casas na Tijuca, bairro da zona norte do Rio de Janeiro. Segundo Eduardo, os agressores eram pastores, membros de igrejas evangélicas e milicianos, os quais, além de atacarem os dois fisicamente, gritavam palavras de ódio usando o nome de Jesus. 

Ainda segundo Eduardo, quando os policiais chegaram ao endereço para controlar a situação, agiram como se fossem amigos do principal agressor, que, além de pastor, era policial também. Com a presença da patrulha, contudo, as agressões cessaram.

Durante três meses, Eduardo ficou impedido de entrar em casa e de ter acesso a seus pertences. Isso só foi resolvido quando a Dra. Maria Eduarda Aguiar conseguiu uma ordem judicial e acompanhou Michels com força policial. Posteriormente, Nélio Georgini, coordenador da CEDS-Rio (Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual), mobilizou setores da prefeitura a fim de oferecer alguma proteção ao casal. Com o apoio da CEDS-Rio, a rua foi fechada e, sob escolta, os dois puderam ter acesso ao imóvel novamente para retirarem suas coisas.




Nenhuma ONG para assumir o caso




Desde o começo, Eduardo e Flavio sofreram abusos e descaso. Na delegacia, tiveram dificuldades para registrar a ocorrência. Sem advogado que os orientasse e sem o apoio efetivo de qualquer ONG, os dois ficaram à deriva até que a advogada e transexual Dra. Maria Eduarda Aguiar se ofereceu para defendê-los. Foi graças a ela que os agressores se viram impedidos de reverter o processo para acusar as vítimas em vez de responderem pelo que fizeram. Infelizmente, Eduardo e Flavio nunca receberam qualquer indenização, nem mesmo o reembolso de seu depósito caução, creditado em favor da imobiliária quando da contratação de aluguel da casa onde ocorreu a agressão. O caso foi simplesmente arquivado pelo juiz.




Desdobramentos da violência sofrida




Por causa dos golpes sofridos e de toda a angústia decorrente das agressões e do processo, Flavio e Eduardo acumularam vários problemas de saúde.

Apesar de Eduardo ter se tornado conhecido do grande público a partir dessa violência, sua atuação em favor da comunidade LGBT é antiga. Entre 2010 e 2018, Eduardo Michels foi o pesquisador responsável pelo relatório anual de crimes homofóbicos e transfóbicos publicado pelo GGB (Grupo Gay da Bahia). Eduardo também criou e mantem a hemeroteca e o banco de dados sobre homotransfobia vinculados ao site Homofobia Mata, que traz informações detalhadas sobre crimes de ódio contra LGBT. 

Como não recebia qualquer apoio financeiro para realizar esse trabalho, apesar dos custos para sua realização, e devido ao sofrimento emocional causado pelo acompanhamento diuturno dos casos de homotransfobia no Brasil, Eduardo anunciou o encerramento de sua atividade como pesquisador dos casos de LGBTfobia no final de 2018. O relatório que saiu no início de 2019 (ref. 2018) foi seu último.

A atuação de Eduardo Michels no campo dos Direitos Humanos, todavia, é anterior ao seu trabalho de pesquisa sobre crimes de ódio  contra LGBT. Eduardo trabalhou com a Dra. Nise da Silveira para a humanização dos tratamentos psiquiátricos no Brasil. Essa luta ficou conhecida como movimento antimanicomial, derivado de uma série de eventos políticos globais e baseado no discurso do médico italiano Franco Basaglia.




Repercussão internacional




Logo depois da agressão sofrida em 2017, o jornalista norueguês Arnt Halvard Stefansen entrevistou Eduardo e Flavio. Agora, três anos depois, Stefansen produziu nova matéria com o casal, que foi publicada tanto em formato impresso como em formato televisivo através da emissora NRK, empresa de propriedade do governo norueguês e maior organização de mídia da Noruega.

Eduardo e Flavio continuam firmes, apesar de todos os sofrimentos pelos quais têm passado. Suas vozes continuam sendo ouvidas dentro e fora do país. 

Veja um print da capa da matéria impressa abaixo:







- INCENTIVA OS HOMOFÓBICOS


O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, fez repetidamente comentários depreciativos sobre as minorias sexuais. Em uma conferência aqui no Rio no mês passado, ele comentou sobre sua oposição a medidas rígidas de corona - da seguinte forma:


- Todos vamos morrer um dia. Todo mundo deve morrer. Não podemos fechar os olhos para a realidade. Devemos deixar de ser um país de gays, disse Bolsonaro....


Flavio Micellis continua lesionado após o ataque, mas não recebe qualquer indemnização.


FOTO: ARNT STEFANSEN / NRK Ver menos




Assista também a um dos programas veiculados na NRK no vídeo (legendado) abaixo:


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