Gays nas Forças Armadas

Gays nas Forças Armadas: 

o que o Brasil precisa aprender com o mundo


Militares LGBT+


A recente declaração do general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, indicado ao Superior Tribunal Militar, reacendeu um debate que muitos países já superaram: a presença de pessoas LGBTQIA+ nas Forças Armadas. O general afirmou que "soldados não obedecem a comandantes homossexuais", ignorando completamente a realidade de dezenas de países que já acolhem militares gays e lésbicas com profissionalismo e respeito.

Enquanto setores conservadores ainda tentam impedir que brasileiros LGBTQIA+ exerçam plenamente sua cidadania — inclusive no serviço militar —, o mundo segue em frente.

Quem já reconhece a igualdade nas Forças Armadas

De acordo com um levantamento da ILGA (International Gay and Lesbian Association), revisado pelo Palm Center, um instituto de políticas públicas da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, diversos países já admitem abertamente gays e lésbicas nas Forças Armadas. Essa lista, atualizada em 2009, inclui:

  • Europa: Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Espanha, Suécia, Noruega, Dinamarca, Bélgica, Áustria, Irlanda, Estônia, Eslovênia, Lituânia, Luxemburgo, República Tcheca, Finlândia, Suíça, Holanda

  • Américas: Canadá, Uruguai, Bahamas

  • Oceania: Austrália, Nova Zelândia

  • África: África do Sul

  • Ásia e Oriente Médio: Israel

Ou seja, países com diferentes contextos culturais, econômicos e religiosos têm algo em comum: entenderam que a orientação sexual de um militar não interfere em sua competência, coragem ou liderança.

E os Estados Unidos?

Durante anos, os EUA mantiveram a controversa política do "Don't Ask, Don't Tell" (Não pergunte, não conte), que permitia a presença de gays nas Forças Armadas desde que sua orientação sexual permanecesse em segredo. Mas essa política também custou caro: entre 1993 e 2010, estima-se que mais de 11 mil militares tenham sido dispensados por assumirem sua homossexualidade.

Em 2010, sob o governo Obama, o país deu um passo histórico. O então chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, almirante Mike Mullen, declarou que permitir que gays assumidos sirvam era "a coisa certa a fazer". Ele afirmou:

"Temos uma política que obriga jovens a mentirem sobre quem são para defender seu país. Isso me perturba profundamente."

O secretário de Defesa da época, Robert Gates, criou um grupo de trabalho para estudar os impactos da mudança. O objetivo: acabar com o preconceito institucionalizado e permitir que todos, independentemente de sua orientação sexual, possam servir abertamente.

A promessa de Obama gerou polêmica. O senador republicano John McCain se disse "profundamente decepcionado". Mas Mullen foi claro:

"Aprendi a nunca subestimar a capacidade de adaptação dos nossos militares."

E o Brasil, vai ficar para trás?

No Brasil, a Constituição garante que todos são iguais perante a lei, mas o preconceito institucional ainda fala alto. A fala do general Cerqueira não só revela um pensamento ultrapassado, como ofende milhares de brasileiros LGBTQIA+ que também estão dispostos a defender sua pátria — mas encontram portas fechadas por puro preconceito.

Enquanto países desenvolvidos — e até alguns em desenvolvimento — reformam suas Forças Armadas para refletir os valores democráticos da inclusão, o Brasil ainda escuta generais questionando a autoridade de líderes com base em sua sexualidade.

Mais do que uma questão militar, essa é uma questão de direitos humanos. Homens e mulheres LGBTQIA+ não pedem privilégios — apenas o direito de servir, liderar, proteger e serem respeitados como qualquer outro cidadão.

Conclusão: A farda não tem orientação sexual

Ser militar é uma vocação que exige disciplina, coragem, lealdade e preparo técnico. Nenhuma dessas qualidades depende da orientação sexual. A verdadeira força de uma nação está na capacidade de incluir e valorizar todos os seus cidadãos.

Enquanto isso, seguimos de prontidão — não para a guerra, mas para a luta por respeito, igualdade e dignidade. Dentro e fora do armário.

Comentários

  1. Até porque, vamos combinar, o que mais tem nesse exército é enrustido. Aquela raça ruim que bate nos gays na frente de todos, mas quando ninguém está vendo está se agarrando com outro macho. Melhor abrir de uma vez.

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  2. É isso aí, Fântome. Sem contar aqueles que não chegam a perseguir outros para dar pinta de "machão", mas vivem enrustidos por medo de perder o emprego - o que não impede que vivam sua sexualidade no anonimato. Já tive o privilégio de ver isso pessoalmente... ;)

    Abração, garoto!
    Sergio Viula

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