Enquanto por aqui as emissoras seguem com o velho jogo de empurra para exibir (ou não) um simples beijo entre dois homens, nossos vizinhos argentinos já deram um passo à frente em plena TV aberta. Em março de 2010, a novela Botineras, exibida pelo canal Telefé, mostrou uma cena histórica: o beijo entre os personagens "Flaco" Riveiro (Christian Sancho) e Gonzalo "Lalo" Roldán (Ezequiel Castaño), ambos jogadores de futebol. Sim, futebol — aquele ambiente impregnado de machismo e silenciamento de afetos entre homens.
Na trama, "Flaco" é um veterano do esporte que retorna à Argentina após anos na Europa. Casado e pai de dois filhos, ele começa a enfrentar conflitos profundos sobre sua sexualidade. Já Lalo, jovem promessa dos campos e primo do protagonista Chiqui Flores, também passa por um processo de descoberta. O romance entre os dois personagens foi sendo construído aos poucos, com tensão, receio, desejo — e culminou na cena do beijo que gerou forte repercussão no país.
Christian Sancho, que viveu Flaco, disse em entrevista à revista Caras:
“Jamais tinha beijado outro homem na vida.”
Ezequiel Castaño, o Lalo, também comentou sobre o impacto do papel:
“Arranqué tranquilo, sumiso, pero a medida que avanzaron los capítulos el personaje fue perdiendo el control de sí mismo porque a los 17 años le hicieron creer que era Messi, el mejor jugador del mundo.”
A audiência de Botineras disparou com a cena. O público não apenas assistiu — reagiu, comentou, discutiu. E o mais importante: viu uma história de amor entre dois homens sendo tratada com a mesma intensidade e complexidade de qualquer outro casal da teledramaturgia.
O mais curioso é que Botineras começou como uma novela sobre as chamadas marias-chuteiras (daí o nome), mas ao abraçar temas como a homossexualidade no futebol, encontrou relevância, coragem e — ironicamente — audiência.
Comentário deste blogueiro
Mais uma vez, o Brasil na cauda do cometa. Até os argentinos, que muitos por aqui gostam de chamar de machistas, estão mil anos à frente quando o assunto é liberdade na TV. Enquanto isso, tem gente por aqui censurando o óbvio: o afeto entre dois homens.
Corre atrás, Rede Globo. Você podia ter saído na frente, mas perdeu o timing. Se demorar mais, até a Record te passa… e por ordem do próprio bispo! 😱
Quem deve estar se sentindo vingado é o Bruno Gagliasso e o Erom Cordeiro — protagonistas de um beijo gay que nunca foi ao ar por aqui.
o brasil ainda é muito atrasado. ainda se discute beijo entre dois homens ou duas mulheres!
ResponderExcluirlamentável isso...
e viva a Argentina!
Isso aí, Serginho. A discussão, por si só, já demonstra o quanto estamos atrasados...
ResponderExcluirAbraço,
Sergio Viula
E pensar que a homossexualidade era tratada como crime na Argentina não faz muito tempo, conheci vários argentinos banidos de seu pais por serem homossexuais, muitos vítimas de sequestro, chantagem e todo o tipo de perseguição pela policia local. Hoje felizmente estão anos na frente do Brasil no que diz respeito a legalização dos direitos dos gays e a novela está ai para quem desejar conferir.
ResponderExcluirArrasou no comentário, Guima! É isso aí... era a herança da ditadura que dominou a Argentina, assim como vários países da América Latina. O Brasil estava entre eles, mas ainda tem que avançar muitooo...
ResponderExcluirAbração, querido!
Sergio Viula