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Alguns equívocos do Moses

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Este post tem por objetivo refletir sobre algumas declarações de João Luiz Santolin, presidente do Moses, durante um seminário promovido pelo Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (CLAM) em parceria com o Instituto de Estudos da Religião (ISER), conforme publicado no livro "Religião e Sexualidade: Convicções e Responsabilidades, organizado por Emerson Giumbelli, publicado pela Editora Garamond, 2005 (ISBN 8576170604, 9788576170600). De acordo com Santolin, o Moses foi fundado em 1997. Ele está certo. Ele só não disse que isso aconteceu durante a Parada Gay celebrada no Rio de Janeiro, no referido ano. Também não disse que éramos três: Santolin, Liane França e eu (quem tiver dúvida, consulte o jornal O Globo, publicado no dia seguinte ao da passeata, pois nossos nomes estão lá no último parágrafo da matéria de cobertura da Parada Gay). Obviamente, ele não disse, devido ao constrangimento causado pela entrevista que dei em novembro de 2004 à revista Época, na qu

Adeus, Sr. Walter.




Por Sergio Viula

Essa semana eu revisitei um texto que eu decidi chamar de "Existência: Surgimento, permanência e desaparecimento". Esse texto fala sobre a vida e a morte. Fui motivado a escrevê-lo por ocasião da morte da primeira cachorrinha que meus filhos tiveram e que foi grande amiga de todos nós, mas o texto transpira princípios que se aplicam a todos nós, não apenas àquela velha amiga. Tenho certeza que o pai de Andre sabia o que é perder uma amiguinha de quatro patas. Eu perdi Pimpolha e ele perdeu Pipoca.

Mas o que me levou a reler aquele texto essa semana foi a expectativa de que o pai de Andre, alguém que também se tornou muito importante para mim, poderia falecer em algum momento próximo, e esse momento se concretizou hoje de manhã.

O Sr. Walter faleceu no hospital São Francisco, em Belo Horizonte, durante a visita da única filha, Cleide (ele tinha mais dois filhos), que pôde se despedir dele.

Andre e eu havíamos visitado o Sr. Walter na UTI desse mesmo hospital há cerca de um mês. Foi difícil vê-lo naquela  situação. Agora, estamos retornando para encararmos uma situação mais difícil ainda: a de velá-lo e enterrá-lo.

Dna. Iolanda, que agora fica viúva, precisará de muita força. Andre me disse que ela tem falado da falta que o esposo lhe faz. E ela comenta coisas tão singelas como: "Ele adorava quando eu comprava queijo. Queria ser o primeiro a comer um pedacinho."

Dói ouvir isso, mas são essas memórias que dão gosto à vida, especialmente quando a vida de quem a gente ama se vai.

Sr. Walter me deixa ternas lembranças também. Andre nunca vai esquecer dele, mas a dor vai perdendo a intensidade com o tempo.

Não deixe de ser feliz e de valorizar quem te valoriza agora mesmo. A vida é curta demais para adiar a felicidade, que é muito mais singela e quieta do que muita gente pensa.

Fica aqui meu simbólico,  mas sincero adeus, Sr. Walter. Sentiremos muito sua falta.

Deixo aqui um vídeo sugerido pelo meu querido colega Guilherme, a quem sou grato pelo carinho com que me ouviu falar sobre todo esse drama essa semana.

O título da palestra da Dra. Ana Cláudia é: A morte, um dia que vale a pena viver. Não confundir com "morrer é bom" ou coisa assim. Trata-se de uma das mais belas e humanas falas sobre o fim da vida que eu ja ouvi. E foi proferida por quem está lá na hora em que a morte está mais próxima.

Assista aqui: 




ATUALIZAÇÃO EM 17/07/2017:



Texto por Andre Dias



Amanheceu e eu sinto um vazio. 



Parece um sonho, mas quando lembro do que se passou enxergo a realidade. 



Ontem, eu vi pela última vez o rosto de um dos homens que mais amei na vida - meu pai. Um homem íntegro, discreto, amável e muito honesto. Ela nos deixou não querendo deixar, mas sem medo de ir. Corajoso, resistente, inquieto, mas lutou muito esses últimos dias. Resistiu até o último minuto, mas quando viu que não tinha mais jeito, se entregou de uma maneira muito emocionante,  deixando cair uma última lágrima, demonstrando o amor e a gratidão  que tinha por todos nós. 



Penso que ao longo do tempo tudo vai se tornando mais compreensível para mim e para aqueles que ontem sofreram tanto. Me alegro por ter podido estar presente ao lado da minha família nesse momento e por ele ter me escutado dizer, mesmo sem poder responder, as coisas lindas que disse a ele quando ele ainda estava no hospital. 


Agora ele permanecerá vivo em nossas memórias.  E para ser lembrado, basta eu parar um minuto e lembrar do seu sorriso, da sua dedicação,  das suas palavras, das broncas, que no meu caso eram poucas kkkk - pensa que mentira -, e de tudo que ele fez por mim e para minha família com muita dignidade. 


Ele se foi. Está agora dormindo um sono sem sonhos e sem planos e que não tem fim, mas ele viverá para sempre em minha memória e será lembrado por mim onde quer que eu vá.







Comentários

  1. Poxa vida, Sergito... que triste!! Transmita o meu carinho, o meu beijo, o meu ombro para o André. Agora, como vc mesmo disse, só com o passar do tempo é que a dor ameniza. Sei exatamente o que ele tá sentindo nesse momento. Muita força pra vcs dois! Um grande beijo e um abraço apertado. 😔😔

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    1. Obrigado, Beth. É verdade, vc sabe. Obrigado pelo carinho. Um beijo.

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  2. Lamento vossas perdas, solidarízo-me com vossas dores e regozijo-me, pelo amor que sentem, André e Sérgio, um pelo outro que acalentará vossos corações e o ombro dos amigos ajudará a minimizar vossas dores.
    Beijos no coração do amigo Laudenir.

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    Respostas
    1. Obrigado, Laudenir. Respondo de dentro da capela em que o corpo está sendo velado. É um momento difícil nm para todos, mas não há como não vivê-lo.

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