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15 dias com Clara - essa fofura de 1 ano e 45 dias

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Por Sergio Viula Clara: Segundo dia de nascimento e com os olhinhos abertos Minha filha e meu genro haviam se tornado pais somente um ano e 45 dias antes de nos visitarem. Apesar da distância, acompanhamos tudo o que podíamos, graças às tecnologias da comunicação. Testemunhamos os nove meses de gravidez, a internação para o parto - que acabou sendo cesariana depois de muita espera e pouca dilatação -, o nascimento, o crescimento daquela bebezinha linda, que chegou mudando a vida de todos nós de muitas maneiras diferentes, e os primeiros passeios, a primeira viagem a uma cidade próxima (Évora) e os muitos dias que ela já passou na creche, aprendendo muitas coisas fantásticas de modo lúdico e com muito carinho das tias cuidadoras e educadoras. A tia da creche fazendo cookies com eles. Depois, todos comeram essas delícias feitas colaborativamente. Um video que eu fiz com fotos do Halloween na creche. Ela é a bruxinha mais fofa, concorda? Quem já segue esse blog há um tempo sabe que chegue

🌈 Gay até sonhando 🌈

por Sergio Viula

Essa noite, tive um sonho muito interessante envolvendo várias questões, principalmente LGBT. Sei que contar sonhos é sempre uma forma se de expor ao olhar treinado do psicanalista ou do psicólogo. Mas, penso que esse sonho mereça ser compartilhado com meus leitores, pois pauta alguns pontos interessantes da experiência sexodiversa.

Deixa eu te contar

Entrei numa joalheria com a intenção de comprar algumas peças de presente para o Andre. Meu objetivo era fazer-lhe uma surpresa fora de qualquer data festiva. Pretendia ver algumas pulseiras masculinas e escolher dentre elas aquelas que combinassem com ele e que pudessem ser usadas separadamente ou combinadas em diversas ocasiões diferentes.

A consultora, linda e atenciosa, foi me mostrando as jóias e me encantando com cada uma. Enquanto eu ainda refletia sobre aquelas que eu levaria, ela me mostrou um colar belíssimo de esmeraldas circundadas por brilhantes. Ao que eu prontamente respondi com a franqueza que me é característica, especialmente quando se trata de dinheiro.

"Lindo, mas totalmente fora das minhas possibilidades orçamentárias."

Ela sorriu despretensiosamente, enquanto recolhia a jóia e a conduzia de volta a seu lugar de exposição.

Durante essa interação na loja, comecei a perceber que a consultora demonstrava interesse em mim. O modo como me olhava, falava e conduzia nossa conversa tinha todos os sinais de um flerte que respeitava a etiqueta da corte.

Comecei a me perguntar o que já havia me perguntado várias vezes depois de sair do armário. Sim, porque isso já havia me acontecido antes. "Será que ela não percebe que eu sou gay?"

E nesse meio tempo, eu pensava em Andre.

Talvez, eu devesse ter dito a ela desde  começo que o presente era para meu marido. Talvez, ela tenha me oferecido o colar de esmeraldas justamente para tentar descobrir se haveria uma mulher em minha vida. Afinal, se eu tivesse, provavelmente teria dito que o colar cairia muito bem nela. Talvez, revelasse até seu nome. Mas, como eu só disse que não cabia no meu orçamento, é provável que ela tivesse concluído que o caminho encontrava-se livre. 

Curiosamente, depois de algum tempo, ela mudou de atitude e deixou de flertar.


O sonho muda de lugar

De repente, eu me encontro na rua, andando numa calçada. De repente, avisto a consultora da joalheria encostada numa mureta que faz lembrar a mureta da Urca, mas sem praia. Ela não me vê. De repente, sua saia é sacudida pelo vento revelando mais do que ela provavelmente desejava. Sua virilha, aquela parte que fica acima da vagina onde crescem pelos, estava perfeitamente depilada. Sua pele era ainda mais alva ali. Porém, logo abaixo, algo inesperado se mostrava. Ela era dona de um pênis. Seus 'anexos' revelavam beleza e singeleza. Eu diria delicadeza mesmo, assim como tudo em seu corpo.

Não pude evitar uma breve sensação de surpresa. Ora, sendo gay e tendo conhecimento das trangeneridades, não me causou constrangimento aquela revelação. Pensei imediatamente no dilema daquela mulher. Comecei a fazer uma retrospectiva de nosso encontro na joalheria.
É possível que ela tenha se interessado por mim por acreditar que eu fosse um homem heterossexual, mas também é possível que ela tenha desistido de flertar por ter pensado que aquela seria uma guerra perdida. Talvez ela tenha feito a si mesma a pergunta que muitas mulheres trans se fazem o tempo todo enquanto correspondem ao flerte dos homens que as desejam.  Mas no meu caso, a corte partia dela. Isso poderia ter criado dúvidas sobre o desfecho de um possível êxito. Ela pode ter pensado o seguinte.

E quando chegasse a hora de nos despirmos ou de nos tocarmos intimamente? Ela pode ter previsto alguma possível grosseria de minha parte, quando o que, no fundo, me impediu de ceder aos encantos dela foi o fato de eu não ser heterossexual.

Além disso, ainda que ela fosse um homem como eu - o que não era o caso - eu estava comprometido com a pessoa que ocupava meus pensamentos durante todo o tempo em que avaliava as pulseiras masculinas de luxo que ela mesma me apresentava. Provavelmente, a consultora pensou que fossem para uso próprio.

Como não havíamos nos falado ali perto da mureta, continuei caminhando, já que ela não havia se dado conta da minha passagem.


Depois de acordar

Quando despertei, contei o sonho para o Andre sem deixar de pensar no que passam as mulheres trans quando se interessam por alguém ou quando são alvo do interesse de algum homem em seu cotidiano. Apesar de muitos homens heterossexuais e bissexuais as desejarem e se relacionarem com elas, dificilmente assumem a relação.

Claro que existem muitas mulheres trans namorando ou casadas, tanto com homens como com mulheres, pois a transgeneridade pode ser hétero, homo ou bi, assim como a cisgeneridade. No entanto, o número de mulheres trans sem parceiro ou parceira ainda é muito grande. Obviamente, refiro-me àquelas que desejam um relacionamento. Ninguém é obrigado a ter ninguém para ser feliz, mas não deveria ser privado de ter alguém se desejar viver a dois.

Gostaria que esses homens heterossexuais e bissexuais que já se apaixonaram ou poderão se apaixonar por uma mulher trans ou por uma travesti no futuro tivessem a mesma fibra moral que eu e Andre temos para assumirmos nosso amor e sermos fiéis a ele sem arrependimento ou temor algum.

Às mulheres trans de todas as formas, cores, sabores e amores, um beijo carinhoso recheado de admiração e solidariedade.


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