
“Eu era o marido perfeito... só não era eu”
Um dos relatos mais frequentes entre homens gays que viveram casamentos heterossexuais é o da performance. Eles foram bons maridos, pais presentes, provedores, amigos das esposas. Fizeram tudo que a sociedade espera — menos viver sua própria verdade.
Carlos*, por exemplo, só conseguiu se assumir aos 47 anos, depois de 20 anos de casamento. “Eu achava que podia controlar. Que dava pra ser gay em silêncio e tocar a vida. Mas chegou uma hora em que meu corpo adoeceu. Eu estava em depressão, com crises de pânico. Foi aí que busquei ajuda e entendi que não dava mais pra fugir de mim mesmo”, conta.
A esposa dele, que hoje é uma amiga próxima, também teve que passar por um processo intenso de autoconhecimento. “Eu me sentia enganada no início. Depois, entendi que ele estava tão preso quanto eu. Fomos vítimas do mesmo sistema.”
Já Marcelo*, 38 anos, pai de dois filhos, diz que o processo foi lento, mas libertador: “Fiquei anos tentando ‘orar o gay embora’. Depois, resolvi viver duplamente: marido em casa, eu mesmo na rua. Até que conheci alguém que me mostrou o que era amar de verdade. Aí, não deu mais pra continuar mentindo. Saí de casa e assumi. Foi difícil, mas hoje tenho paz. Pela primeira vez.”
Finalizando com carinho (e verdade)
Se você é um homem gay casado com uma mulher e está lendo isso, saiba: você não está sozinho. Sua história é válida. Seu medo é compreensível. E seu desejo de viver plenamente é legítimo. Ninguém deve passar a vida toda tentando encaixar o coração em um molde que não serve.
Você pode, sim, reconstruir sua vida — com respeito, cuidado e coragem. Assumir-se pode doer no começo, mas a liberdade de ser quem você é compensa tudo.
Além disso, é importante lembrar que o casamento igualitário — aquele baseado na autenticidade, no afeto e no respeito mútuo — é melhor para todos os envolvidos. Deixar de exercer pressão para que uma pessoa LGBTQIA+ aja como heterossexual não é só um alívio para ela; é também um cuidado com quem está do outro lado da relação. Relações construídas com base em uma identidade reprimida têm grandes chances de se romper dolorosamente no futuro, deixando feridas difíceis de curar.
Ao permitir que cada um viva sua verdade desde o início, evitamos frustrações, mágoas e rompimentos traumáticos. Gays livres de se esconder, mulheres livres de serem enganadas, filhos livres para crescerem em ambientes mais honestos e amorosos. Todo mundo sai ganhando.
E se você está do outro lado — é a esposa, amiga, irmã, mãe — respire, escute, acolha. A verdade pode ser um caminho difícil, mas ela é sempre o terreno mais fértil para recomeços verdadeiros.
(*Nomes alterados a pedido dos entrevistados.)
eu ri. eu ri muito.
ResponderExcluirkkkkkkkkkkkkkkkkk
kkkkkkkkkkkkkkkkkk
Que bom que vc gostou!!! Humor é fundamental! kkk
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