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Sobre "curas" e "terapias" para "correção" da orientação sexual e da identidade de gênero de pessoas LGBTI+ no Brasil

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  Por Sergio Viula Hoje, dia 30/06/21, recebi da All Out um convite para ler um relatório de pesquisa sobre as chamadas "terapias de conversão" (a famigerada "cura gay"). Esse trabalho é de um valor imenso, pois essas terapias são uma verdadeira violência contra a psiquê das vítimas. O relatório completo pode ser acessado aqui:  https://s3.amazonaws.com/s3.allout.org/images/All_Out_Instituto_Matizes_Relatorio_Completo_Entre_Curas_E_Terapias.pdf  Também na data de hoje, foi feito um painel com as pessoas que organizaram o relatório. Esse painel pode ser assistido aqui:  https://www.youtube.com/watch?v=DvGhjGrVKyE Não deixe de acessar essas informações. Elas são fundamentais para que a nossa capacitação e empoderamento contra essa série de violências contra a pessoa LGBT+, especialmente na infância e na adolescência.

Kenneth Felts sai do armário aos 90 anos — e é só o começo


Kenneth Felts, 90 anos e finalmente fora do armário


“Ele é tão corajoso e nem perecebe que é, mas é extraordinário”, diz a filha dele.


Esse post baseia-se no artigo especial de Sarah Kuta para The Denver Post em 18 de junho de 2020. Traduzido e adaptado por Sergio Viula.



Kenneth Felts é um senhor de 90 anos de idade. Por quase um século de vida, ele agiu como um homem heterosexual, mas, finalmente, encontrou forças para deixar o armário e mostrar suas cores verdadeiras. 

Kenneth nunca planejou sair do armário, mas a quarentena do coronavírus sacudiu seus alicerces. Decidido a usar seu tempo livre no isolamento, Felts começou a trabalhar em sua autobiografia, o que trouxe à tona uma enxurrada de memórias.

Uma dessas memórias era a de seu grande amor, Phillip. Os dois apaixonaram-se na Califórnia no final da década de 1950. 

Apesar da força desse amor, Felts decidiu viver como se fosse heterossexual, pois viver como gay assumido era extremamente difícil naquele tempo.

Algumas semanas atrás, porém, enquanto conversava com sua filha Rebecca Mayes, ele deixou escapar que se arrependia de ter deixado Phillip. Foi a primeira vez que ele mencionou sua homossexualidade para a filha, que é sua única prole de um casamento que terminou em divórcio. A filha tentou consolá-lo. Ela mesma lésbica assumida há 20 anos, isto é, desde sua graduação na universidade. Felts precisou se acostumar à ideia de ter uma filha lésbica, mas não demorou a aceitar e apoiá-la e a esposa dela, Tracie Mayes, apesar de suas próprias questões internas.

Depois de sair do armário, Kenneth Felts decidiu que era hora de se colocar francamente no mundo. Ele mandou emails e postou uma mensagem no Facebook, explicando que havia acumulado duas personalidades dentro dele – a de Ken, um homem heterossexual, e a de Larry, um homem gay. Depois de anos suprimindo Larry, era hora de libertá-lo.

Em minutos, mensagens de apoio transbordaram a página e a caixa de e-mails dele.

“Eu estive no armário toda a minha vida — no fundo do armário, atrás de pilhas e pilhas de roupa. Estou de volta”, disse ele. 

“Ao abrir aquela porta frontal, eu passei por grande trepidação sobre o que as pessoas diriam. Eu estava muito preocupado porque eu precisava das pessoas e não aguentaria perdê-las só porque decidi finalmente ser que eu realmente era.”

O resultado foi fenomenal. Agora, ele está entusiaticamente assumido e orgulhoso. Além de uma bandeira e um casaco com gorro do arco-íris, ele participa de um grupo de idosos LGBTQ organizado pelo Center on Colfax. Ele também está fazendo campanha para arrecadar dinheiro para eventos que apoiam a comunidade LGBTQ.

Felts nasceu em 1930 em Dodge City, Kansas, Estados Unidos. Quando criança, foi alvo de bullying nas escolas por onde passou. Aos 12 anos, ele entendeu que era gay. Depois de uma vida inteira no armário, a única coisa que Felps não se arrepende de ter feito foi gerar Rebecca, sua filha amada. Ele deixa isso bem claro. Porém, lamenta ter vivido de uma forma que não condizia com sua verdadeira afetividade e sexualidade. Agora, ninguém segura a alegria desse homem que se reconcilia consigo mesmo e com seu círculo familiar e de amigos, finalmente.

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