Homofobia em festa do ECA da USP


Henrique Peres Andrade e Seu Namorado São Vítimas de Agressão Homofóbica em Festa da USP


27 de outubro de 2010 – Em mais um caso lamentável de agressão homofóbica, o estudante de Biologia da Universidade de São Paulo (USP), Henrique Peres Andrade, de 21 anos, e seu namorado, foram vítimas de agressões físicas e verbais durante a festa “Outubro ou Nada”, organizada pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, na noite de 22 de outubro. O evento aconteceu em um imóvel localizado no Morumbi e, segundo o relato de Henrique, os dois foram atacados por um grupo de agressores enquanto se encontravam em um momento de descanso no sofá do local.

O Relato de Henrique


Henrique conta que, após uma prova cansativa, ele e seu namorado estavam sentados abraçados em um sofá, em um dos cômodos da casa. Foi então que três homens visivelmente alcoolizados se aproximaram e começaram a xingar e ameaçar o casal, utilizando uma série de palavrões e adjetivos homofóbicos. A agressão escalou rapidamente, com os homens apontando cigarros acesos em seus rostos e, em seguida, jogando um copo de bebida nas roupas de Henrique e seu namorado.

A situação rapidamente se transformou em agressões físicas. Henrique e seu namorado foram agredidos com socos e chutes enquanto tentavam se defender. A resposta do segurança da festa, que foi chamado por duas meninas que estavam no local, foi de total omissão, permitindo que as agressões continuassem sem qualquer intervenção. A situação só mudou após a formação de um aglomerado de pessoas indignadas com a barbárie, que pressionou para que os agressores fossem retirados do evento.


A Omissão do Segurança e Ações Após o Incidente

Surpreendentemente, o segurança da festa não tomou nenhuma atitude imediata para parar as agressões. Após o ocorrido, quando finalmente os agressores foram retirados do evento, eles continuaram a fazer ameaças e xingamentos do lado de fora. Foi necessário o apoio de amigos e escolta até o táxi para que Henrique e seu namorado pudessem deixar o local em segurança.

No dia seguinte, Henrique soube que os agressores também depredaram o carro de uma outra pessoa na festa, uma mulher que, ao ser questionada pelos mesmos homens sobre a presença de amigos gays na festa, respondeu afirmativamente. Eles atacaram o carro dela, chutando e urinando nas portas.


As Providências Tomadas

Em seu relato, Henrique deixa claro que, apesar dos danos emocionais e psicológicos, ele e seu namorado estão bem fisicamente. Eles estão agora tomando as providências legais necessárias com a Defensoria Pública do Estado de São Paulo e o Centro Acadêmico (CA) da Biologia, com base na Lei Estadual 10.948/2001, que combate a discriminação homofóbica em São Paulo.

Henrique enfatiza que não deseja vingança, mas sim que a sociedade não normalize mais essas atitudes homofóbicas. Ele ainda faz um pedido: que a ECA se posicione formalmente sobre o ocorrido e que a Atlética da ECA, que já demonstrou apoio, tome providências para que eventos futuros não sofram o mesmo tipo de negligência quanto ao tratamento dos gays e da diversidade.


Repercussão e Apoio

Henrique agradece a todos os amigos e pessoas que se solidarizaram com ele e com seu namorado após o ocorrido. Ele também faz um apelo: que atitudes como as que aconteceram na festa não sejam mais encobertas ou relevadas e que as instituições, como a ECA e os seguranças, aprendam a lidar com a diversidade de maneira inclusiva e respeitosa.

Henrique e seu namorado não irão se calar diante dessa agressão, e o relato dele é um grito de alerta para todos aqueles que sofrem de violência homofóbica.

Que atitudes como essa não se repitam! Vamos juntos combater o ódio e a intolerância, e garantir que cada pessoa, independente de sua orientação sexual, possa viver em um ambiente de respeito e liberdade. Se você presenciou ou viveu alguma situação semelhante, compartilhe conosco nos comentários.

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