
Cala a boca, Batista!
🗓 17 de junho de 2010
📍 Orlando, Flórida
Durante o encontro anual da Convenção Batista do Sul, o chefe de Política Pública da denominação, pastor Richard Land, resolveu destilar mais um pouco de preconceito e desinformação. Em um discurso inflamado, Land disse que as Forças Armadas dos EUA seriam destruídas se a política do "Don’t Ask, Don’t Tell" (Não Pergunte, Não Diga) fosse suspensa, permitindo que gays servissem assumidamente no exército.
Segundo ele, haveria uma debandada em massa, discórdia entre os militares e um verdadeiro colapso nas tropas. Como se a simples existência de pessoas LGBT+ assumidas fosse o fim da disciplina militar. Só faltou dizer que os tanques de guerra se transformariam em carros alegóricos.
Ah, e claro, como bom guardião da moral alheia, o mesmo pastor também reafirmou que a denominação está contra qualquer tentativa de legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia. Porque, afinal, nada mais ameaça a civilização do que dois homens se amando com aliança no dedo.
COMENTÁRIO DESTE BLOGUEIRO
Lembro com carinho da frase ácida do Jô Soares: "Cala a boca, Batista!" — e ela nunca foi tão adequada quanto agora. O problema é que, infelizmente, não há nada de engraçado nesse ódio disfarçado de fé.
É surreal pensar que, em pleno século 21, líderes religiosos ainda consigam convencer parte da população de que um soldado gay é uma ameaça à segurança nacional. Sendo que esse mesmo soldado já está lá, servindo, arriscando a vida, e muitas vezes é conhecido e respeitado por seus colegas de farda.
A verdade é que a igreja ama a hipocrisia. Ela vive do fingimento. Como levar a sério um pastor que chora no púlpito enquanto, nos bastidores, lucra com o medo e a culpa dos fiéis? Lágrimas de crocodilo que amolecem bolsos, não corações.
Quando saí da igreja batista, deixei para trás mais do que uma teologia. Deixei um sistema doutrinário doente, herdeiro direto da mentalidade racista e escravocrata da Convenção Batista do Sul dos EUA — que só reconheceu sua cumplicidade com o racismo em 1995, com séculos de atraso e depois de muita pressão.
Agora, eles repetem a história: trocam os negros pelos gays como alvo de sua cruzada "santa". Será que essa gente não aprende nada com a História, nem mesmo com a própria?
A sociedade e os governos não podem mais dar ouvidos a esses pregadores extremistas, fundamentalistas, irracionais e preconceituosos. O que precisa ser ouvido — e aplicado — é o que diz a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Simples assim.
Só pra não perder o hábito:
CALA A BOCA, BATISTA!

Responde o casal homossexual: “E quanto à ignorância?”
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