USP: Jornal será investigado por incitar ataque a gay



Quando o “humor” vira incentivo ao ódio: jornal estudantil da USP é investigado por incitar agressões contra gays


Publicado em 26/04/2010


Mais um caso escancara os limites entre a liberdade de expressão e o discurso de ódio: um jornal universitário da Faculdade de Farmácia da USP, intitulado O Parasita, está sendo investigado pela Polícia Civil de São Paulo por incitação à violência contra pessoas LGBTQIA+.

O motivo? Uma "piada" publicada na edição mais recente do jornal que dizia o seguinte:

“... jogue merda em um viado, que você receberá, totalmente grátis, um convite de luxo para a Festa Brega 2010.”

Sim, você leu certo. Em pleno ambiente universitário — que deveria ser um espaço de reflexão crítica, respeito à diversidade e promoção dos direitos humanos — uma publicação estudantil estimula agressão contra gays como forma de “ganhar brinde”.

Diante da repercussão, os editores (anonimamente, como é de praxe em covardias desse tipo) enviaram um e-mail aos alunos pedindo desculpas pelo “exagero”, dizendo que sua intenção era apenas “fazer humor”.

Mas quando o humor se torna uma ferramenta de humilhação e violência, ele deixa de ser humor. Torna-se crime.

A Polícia Civil já abriu investigação para identificar os responsáveis pela publicação. Caso sejam localizados, os envolvidos podem ser presos. Paralelamente, uma comissão da Secretaria da Justiça irá apurar se houve homofobia — o que pode acarretar penalidades legais como a aplicação de multa.

Este caso nos lembra que a homofobia não acontece apenas em ambientes religiosos ou conservadores. Ela também se disfarça de “brincadeira” nos corredores de universidades públicas, entre jovens que deveriam ser a vanguarda do respeito e da inclusão.

Ninguém está acima da lei. E nenhuma forma de preconceito pode ser naturalizada em nome do humor.

Fica o alerta: o que começa com “piada” pode terminar em agressão. E quem cala, consente. Que a USP — e todas as instituições de ensino — sejam espaços onde nenhuma orientação sexual ou identidade de gênero seja motivo de ódio, mas sim de respeito e convivência.

🌈 Fora do Armário
Por um mundo onde o amor seja motivo de orgulho — nunca de vergonha ou violência.

Comentários

  1. Foi outro caso bizarro que soube tb.
    Olha, escutei muita gente dizendo que "era só uma brincadeira com uma pouco de exagero". Ridículo! O preconceito está entremeado nessas pessoas e elas nem percebem. Vamos fazer piadinhas com as coisas religiosas então, ué: não parece uma boa idéia, né?! Então respeito para isso e respeito para aquilo!!!
    Fiquei feliz porque pelo menos o caso endossa a necessidade de se aprovar uma lei federal contra a homofobia (aliás, que lei estadual é essa que pune homofóbicos em SP? gostei, quero conhecê-la...).
    Fui!

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  2. É isso aí, Tiago! Vc está certíssimo. É como a justiça diz, não interessa se foi apenas uma brincadeira sem intenção de ferir, se feriu, isso já se enquadra no código penal.

    Eles vão pagar multa que poderá ser 15 mil, podendo também chegar à prisão.

    Se não houver rigor, não vai haver mudança nesse tipo de comportamento.

    Beijo,
    Sergio Viula

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