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Mãe de Paulo Gustavo faz 74 anos e fala com Ana Maria Braga

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17 de setembro de 2021 Por Sergio Viula Interrompendo aqui a nossa série sobre religião e diversidade sexual, gostaria de incentivar você a assistir essa entrevista maravilhosa feita por Ana Maria Braga com Dona Déa Lúcia, a mãe do querido Paulo Gustavo, falecido há quatro meses. Hoje, é aniversário dela - 74 anos - e Dona Déa deu um show de amor e de sabedoria durante toda a entrevista. Você vai se emocionar, aprender, crescer e se tornar melhor como ser humano se aplicar o que ela falou aqui sobre uma das coisas mais importantes para o indivíduo - a família, especialmente quando se trata de filho ou filha LGBT+. Não deixe de ver. É logo no começo do programa. Depois que a Ana Maria faz a abertura com suas mensagens típicas de encorajamento, ela já passa para a abertura da entrevista com cenas de Paulo Gustavo trabalhando como Dona Hermínia. Imperdível! Assista aqui:  https://globoplay.globo.com/v/9867337/programa/?s=0s Parabéns pelo seu aniversário e pela mulher fantástica que você é

Serial killer caça gays em aplicativos de encontros



Atualização sobre a prisão desse bandido no final desse post. 
Atualização feita em 29/05/21.


 Por Sergio Viula


Alguns veículos de notícias, inclusive o famoso site Hugo Gloss, alertaram para a existência de um serial killer (assassino em série) no Paraná essa semana.

O assassino é procurado pela polícia e foi identificado como José Tiago Correa Soroka, de 32 anos (foto acima). As informações divulgadas indicam que ele cometeu dois assassinatos em Curitiba, no Paraná, e outro em Santa Catarina. Ele foi descoberto quando sua quarta vítima conseguiu escapar da morte em 11 de maio e relatou a tentativa de homicídio à polícia. 

O delegado Thiago Nóbrega, conforme noticiado pelo UOL, considera que esses casos estejam conectados. Segundo ele, trata-se de um serial killer por causa das semelhanças entre os casos, do perfil das vítimas e do curto espaço de tempo entre um crime e outro.


Como reduzir os riscos no aplicativos de encontro?


1. Não exiba informações pessoais como endereço, local de trabalho, números pessoais, etc.

2. Não converse com gente que não posta foto de rosto. E para ter certeza de que a foto não é fake, converse com ele/ela por videochamada. Abra a sua câmera e exija o mesmo. Qualquer desculpa por parte dele/dela para não usar a câmera já é motivo suficiente para descartar esse contato, mesmo que ele/ela mostre qualquer outra parte do corpo.

3. Nunca mostre fotos de nudez com seu rosto ou dados pessoais aparecendo. Muitas dessas fotos vão parar em sites de pornografia. Fazer sexo virtual também é arriscado nesse sentido. Você pode descobrir posteriormente que seus prazeres secretos tornaram-se muito mais públicos do que você podia imaginar. Seu sexo pode se tornar viral nas redes sem o seu consentimento.

4. Não vá à casa do contato e nem receba esse contato em casa sem antes marcar um encontro em lugar público. Se você perceber qualquer incoerência ou atitude suspeita, pare aí mesmo. E na hora de sair de um possível encontro desastroso em local público, certifique-se de  não estar sendo seguido pelo indivíduo, especialmente se o caminho for deserto ou escuro. 

5. Verifique as redes sociais desse contato. Observe que tipo de postagens ele faz e com que pessoas ele se relaciona em seu círculo de amigos. Não ignore qualquer vestígio de discurso de ódio, especialmente em relação à comunidade LGBT. Observe se há falas que indiquem algum tipo de fanatismo ou extremismo.

6. Se você finalmente marcar um encontro, conte a um bom amigo ou a uma boa amiga onde vai e com quem. Peça que ele/ela telefone para você num momento em que você já esteja conversando pessoalmente com o seu contato . Atenda a ligação. Converse na frente do seu contato sobre onde está e com quem, de modo que ele saiba que está sendo monitorado à distância. Faça isso do modo mais natural possível e sem soar rude, mas faça.

6. Se a pessoa soar desrespeitosa com você por causa de seu jeito de ser ou em relação ao que você diga a respetio de si mesmo, caia fora imediatamente. Essa é provavelmente uma maçã bem podre.

7. Se algum contato não passar em algum desses testes, bloqueie essa pessoa imediatamente. Não se permita nem ter outras conversas com ele/ela. Esse contato pode ser um mero caçador de dados para fraudes - o que já é muito ruim -, mas também pode ser um criminoso buscando uma presa fácil. Lembre-se que muitos presidiários perigosos estão nos aplicativos de encontro cometendo crimes virtuais ou direcionando outros criminosos aqui fora. 

Pode parecer exagero tudo isso, mas as estatísticas disponíveis mostram que não é exagero algum. Além disso, se você estiver enganado sobre o tal contato, perderá menos descartando-o do que pagando para ver.


Estatísticas sobre crimes via aplicativos de encontros


Não temos dados seguros sobre a situação no Brasil, mas os crimes cibernéticos praticados via aplicativos de encontro já têm estatísitcas em vários outros países. Veja o grafíco abaixo. 



Fonte: AQUI


Na Austrália


O Instituto Australiano de Criminologia publicou um documento interessante sobre esse assunto: Mobile dating applications and sexual and violent offending (Aplicativos de namoro para celular e crimes sexuais e violentos). O texto é de autoria de Kamarah Pooley e Hayley Boxall, e foi publicado em novembro de 2020 no link abaixo (em inglês):

https://www.aic.gov.au/sites/default/files/2020-11/ti612_mobile_dating_applications_and_sexual_and_violent_offending.pdf

Traduzo aqui o 'abstract' do artigo:


"Nos últimos anos, um número de casos destacados de crimes sexuais e violentos tem sido cometido depois que o criminoso e a vítima se encontraram através de um aplicativo de namoro para celular. (dating app). Tanto a mídia quanto a retórica popular subsequentes têm considerado crimes sexuais e violentos via dating apps como uma séria preocupação no campo da segurança. Uma revisão da literatura foi conduzida para determinar a prevalência de violência via dating apps, as características dos dating apps que criaram e evitaram oportunidades para que a violência ocorresse, e as estratégias de prevenção utilizadas por usuários individuais e pelos criadores de aplicativos. Os resultados sugerem que os usuários de dating apps estão em maior risco de ataque sexual e de outras violências do que os não-usuários. Os recursos dos dating apps criados para promover segurança e conexão, paradoxalmente, colocam os usuários em risco de violência. Apesar de alguns recursos de dating apps se revelarem mecanismos de segurança inovadores, a maioria coloca o ônus sobre os usuários para protegerem a si mesmos de violência. Mais pesquisa precisa ser feita para nos informarmos sobre esforços de prevenção e intervenção."


Números do FBI


De acordo com o site de segurança cibernética Norton, o mesmo que desenvolve programas de antivírus e outros produtos, reporta que fraudes via "romance" em aplicativos de encontro foram o segundo mais recorrente crime praticado contra americanos, conforme relatório do FBI em 2019. Essas fraudes geralmente envolvem pedidos de dinheiro e outras armadilhas, tais como roubo de dados, que levam a enormes prejuízos financeiros.


Estupros via apps no Brasil 

No Brasil, assim como no Reino Unido, crescem as denúncias de estupros realizados a partir de encontros via apps de relacionamento. As mulheres têm sido as principais vítimas dessa modalidade de crime. 

O site Gênero e Número traz algumas informações importantes sobre esse tipo de crime no Brasil. Segundo eles, O número total de registros de crimes entre 2014 e 2018 foi de 338. Dois terços dos boletins registrados vêm de mulheres. "As principais ocorrências registradas por elas são difamação, injúria e ameaça, mas há também estupro, extorsão, furto e lesão corporal."

No caso de LGBT, todos os casos registrados a partir do Grindr, de acordo com o site, tiveram como vítimas homens. Os crimes foram principalmente de difamação, furto, perturbação do trabalho ou do sossego alheio e roubo. Há também um registro de “perigo de contágio venéreo” -  o que, obviamente, não é exclusividade desse grupo.

No Reino Unido, já em 2016, os crimes de estupro haviam crescido 450% através de encontros feitos pelos aplicativos de 'pegação'. A informação vem do site Vice News, reportando o que disse a Agência Nacional de Criminoologia do Reino Unido. Estupros continuam sendo reportados cinco anos depois dessa notícia lá e cá.

Os assassinatos não aparecem nos relatórios comentados pelo Gênero e Número. Todavia, basta uma busca por notícias desse tipo no Google que logo se vê uma série de casos. Veja, por exemplo, os resultados que eu obtive usando as seguintes palavras-chave: morto aplicativo de namoro: https://www.google.com/search?q=morto+aplicativo+de+namoro&rlz=1C1ZKTG_pt-BRBR935BR935&oq=morto+aplicativo+de+namoro&aqs=chrome..69i57.9181j0j4&sourceid=chrome&ie=UTF-8 

Não é preciso muita habilidade matemática para calcular os riscos envolvidos num encontro marcado com alguém via aplicativos ou sites de 'pegação'. A questão é: Será que as pessoas viciadas na "roleta russa" que esses aplicativos proporcionam estarão dispostas a utilizar outros meios para encontrar parceiros ou parceiras em potencial, porém em condições menos arriscadas? 

A julgar pelo faturamento desses aplicativos e sites, pode-se imaginar que o "rebanho de corte" para psicopatas e golpistas continuará grande e sempre crescente. 


Pandemia e explosão de lucros nos apps de pegação

E as restrições impostas pela pandemia só ampliaram o faturamento  dessas empresas. O recorde de atividade nesses apps, em 2020, foi precisamente o dia 29 de março - primeiro domingo da crise nos Estados Unidos. Foi nesse dia que  usuários do mundo inteiro interagiram 3 bilhões de vezes com os perfis disponíveis nas redes desses aplicativos. 

O Match Group, que controla o Tinder e outras empresas desse setor como o Hinge e o OKCupid, detém uma fatia de 60% do mercado de encontros online. Suas ações acumularam alta de 206% até o final do terceiro trimestre de 2020. Seu valor de mercado chegou a US$ 37 bilhões. No terceiro trimestre de 2020, a receita deles foi de US$ 640 milhões, um aumento de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro antes mesmo de começarem o último trimestre de 2020 já era de US$ 249 milhões, 21% acima do registrado na mesma época em 2019.

Imagina o campo fértil para todo o tipo de crime que essas bolhas gigantes já criaram e continuam alimentando, apesar de não ser do interesse dessas empresas que tais crimes ocorram, elas não conseguem preveni-los definitivamente. 

E os encontros bem-sucedidos?

Existem muitos casos de sucesso entre aqueles que se conheceram através de apps de encontros. O sucesso pode ter sido por uma noite apenas ou pode ter resultado num relacionamento duradouro. 

Pessoalmente, já ouvi de alunos meus e outros colegas relatos sobre usuários desses aplicativos que até se casaram com a pessoa que conheceram pelo app. Meus sinceros votos de felicidades a todos. 

Porém, vale sempre a pena lembrar que as pessoas costumam assumir e até se gabar de seu êxito, mas dificilmente comentam seus fracassos. E quando se trata de LGBT, especialmente homens gays e bissexuais, muito estão em apps jutamente porque vivem no armário e esperam que a privacidade do encontro mantenha as coisas assim.  Esse é o mesmo motivo que faz com que essas pessoas, quando vítimas de ataques em encontros via app ou por outros meios, permaneçam caladas, nunca denunciando o criminoso - vantagem com a qual o bandido já conta quando escolhe suas vítimas.

E, obviamente, no caso das pessoas assassinadas por homofóbicos oportunistas ou por homicidas contumazes, a vítima nunca voltou para contar.



Se tiver informações sobre esse criminoso, 
ligue para 197 ou 0800-6431-121.

Anonimato garantido.
Polícia Civil do Paraná



ATUALIZAÇÃO FEITA EM 29/05/21


ACUSADO DO ASSASSINATO DE TRÊS HOMOSSEXUAIS E TENTATIVA DE HOMICÍDIO DE UM QUARTO HOMOSSEXUAL É PRESO


José Tiago foi preso em uma pensão em Curitiba 
(Foto: Banda B FM)


O paranaense José Tiago Correia Soroka, foi preso no início da manhã deste sábado (29), pela Polícia Civil do Paraná. O assassino vinha sendo procurado pela policia, que havia divulgado sua identidade e retrato falado. A prisão foi feita após buscas decorrentes de uma denúncia de sua localização. 

Segundo as investigações, o serial killer agia través de aplicativos de relacionamento, utilizando perfis fakes para seduzir as vítimas. José Tiago cometeu um crime por semana entre os dias 16 de abril e 11 de maio, fato que desperto a atenção da polícia.

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