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Acordei virado no Jiraya! #curagay

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 Por Sergio Viula Depois de ler a matéria da revista Veja ("Volta ao passado: ideia absurda da cura gay ganha vigor com influencers) nesse link: https://veja.abril.com.br/brasil/volta-ao-passado-ideia-absurda-da-cura-gay-ganha-vigor-com-influencers/   e de assistir a um vídeo do canal Veja e Viva, que pode ser encontrado em https://youtu.be/tb1D448bDbc?si=k-TA0EW49CS6-yuP , decidi fazer uma live no Instagram comentando tudo isso.  Eu li a matéria assim que saiu, mas só assisti ao video hoje, e foi por indicação do meu amigo Evandro Santana. Eu tinha acabado de acordar e nem tinha tomado café ainda quando assisti ao vídeo. Decidi imediatamente comentar tudo isso enquanto tomava um café expresso. Depois, parti para um mate, porque o papo renderia. E rendeu mesmo. Assista aqui a live com meus comentários sobre tudo isso. Por favor, não deixe de compartilhar essa postagem ou o vídeo com seus contatos para que mais gente seja alertada sobre essa fraude e seus riscos. Se você já foi fis

Um de vocês quer só diversão, mas outro...


Por Sergio Viula - 12/03/2023


É uma aposta certa: Fale sobre os riscos envolvidos em encontros por aplicativos de namoro e logo haverá uma dezena de pessoas dizendo que não é nada disso. O inferno é sempre o negacionismo dos outros, não é verdade? Se existe algo de negativo, perigoso ou até mortal numa coisa que eu gosto, só pode ser mentira ou exagero. Não é exatamente assim que funciona com todo negacionista? Acredite ou não, existem negacionistas no reino dos aplicativos. São aqueles que juram que o Tinder, Gindr e outros são os melhores amigos do homem.

O argumento mais usado é: "Eu já encontrei com pessoas via app e nunca me aconteceu nada." Outro muito comum é: "Eu conheço gente que se conheceu pelos apps de encontros e está namorando pra valer até hoje ou já está até casada agora." 

Isso não chega nem a ser um argumento de fato. É como dizer: "Eu já transei sem camisinha várias vezes e nunca peguei nada. Logo, transar sem camisinha não é arriscado." Isso é apenas mais uma falácia. Em outras palavras: Silogismo falso.

No final do ano passado, mais precisamente em novembro, portanto apenas quatro meses antes de eu escrever esse post, a BBC publicou que nove em cada dez sequestros em São Paulo são realizados por bandidos usando o Tinder. Isso quer dizer que se não fosse pelas facilidades do aplicativo, apenas uma pessoa teria sofrido sequestro pelos meios convencionais. As outras nove provavelmente nunca teriam passado por isso.

Talvez, você esteja pensando agora: "As vítimas devem ser gays que caem na conversa de qualquer macho." Ledo engano. Essa matéria da BBC é sobre homem hétero caindo na conversa de mulheres que servem de isca para a quadrilha de sequestradores. Veja um recorte da matéria abaixo:

Um homem conhece uma mulher em um aplicativo de relacionamento, troca mensagens e, tempos depois, eles marcam um encontro. Mas, ao chegar ao local, o homem é sequestrado por uma dupla ou grupo armado. E o que seria um momento especial se torna um pesadelo que chega a durar dias. A vítima sofre tortura psicológica e algumas vezes até física enquanto têm suas contas esvaziadas. (leia mais aqui)

Todavia, é importante ressaltar que esse tipo de crime não discrimina ninguém. Pessoas cisgêneras ou transgêneras, pessoas heterossexuais ou homossexuais, pessoas bissexuais ou pansexuais, tanto faz - qualquer pessoa pode ser vítima desses crimes, que nem sempre envolvem dinheiro. Na verdade, muitas vezes trata-se de psicopatas que só querem se divertir com o sofrimento alheio. Veja esse caso que aconteceu nos Estados Unidos. Foi há três anos.

Um jovem foi sequestrado, torturado, morto e teve os testículos comidos pelo assassino depois de marcar um encontro com ele no Grindr na véspera de natal (leia mais aqui).

E se você pensa que não acontecem atrocidades por aqui, veja esse caso que aconteceu em São Bernardo do Campo. Trata-se de um jovem gay que desapareceu em fevereiro desse ano. Veja um trecho da matéria:

Uma morte violenta seguida de tentativa de ocultação do corpo que foi parcialmente carbonizado. Assim foi o desfecho do caso evolvendo Yago Henrique França, de 29 anos, que saiu de casa, em São Bernardo, no dia 27 de fevereiro, para um encontro amoroso marcado através de um aplicativo de encontros e não foi mais visto. Seu corpo queimado foi encontrado à beira de um córrego em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, na terça-feira (07/03). Para Marcelo Gil, fundador e presidente da ONG ABCDS (Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual), não há dúvida que foi um crime de homofobia (leia mais aqui).

 Yago Henrique França

Ainda que muitos desses crimes venham sendo registrados em São Paulo, esses criminosos estão espalhados por todo o país. Outros dois casos chocantes aconteceram em Mossoró, no Rio Grande do Norte, em maio do ano passado, como registra o TCM Notícia:

Bruno Alisson do Nascimento, de 35 anos, e Hadirson Caio Marcelino, 29 anos, foram mortos em Mossoró (RN) de forma muito semelhante. Os dois foram assassinados após marcar encontros por meio do aplicativo de relacionamento chamado Grindr. O aplicativo é famoso entre a comunidade LGBTQIA+ (leia mais aqui).


Hadirson Caio Marcelino, 29 anos (direita) e
Bruno Alisson do Nascimento, de 35 anos


Não se trata, portanto, de casos isolados. A verdade é que diversas plataformas digitais podem ser usadas por assassinos, estupradores e estelionatários com grande eficácia e poucas chances de que sejam apanhados. Já existem empresas investigando essas ocorrências, como mostra a CNN em artigo sobre isso:

De acordo com um relatório da empresa de cibersegurança Kaspersky, publicado em agosto de 2021, em que ouviu 18 mil pessoas em 27 países, 15% das pessoas já caíram em golpes. Além dessas, 31% não efetivamente caíram em fraudes, mas foram contatados por fraudadores – o que significa que quase metade dos usuários (46%) já foi abordado por estes criminosos.

Do total de casos, 61% dizem que foram vítimas de catfishing, e somente 2% dessas pessoas conseguiu identificar que o perfil era falso antes de cair no golpe (leia mais aqui).

Para quem não sabe o que é catfishing, aqui vai uma rápida explicação: Basicamente, catfishing é uma prática adotada por indivíduos que criam perfis fakes (falsos) em redes sociais, fóruns, aplicativos de paquera e qualquer outro meio. Em geral, estas pessoas usam fotos de terceiros e não são raros os casos que envolvem crimes, fraudes e vários tipos de golpes. (NordVPN)

E quando se trata de extorsão, o Brasil não fica atrás nessas estatísticas. Isso pode ser exemplificado com a prisão de João Vitor Gomes, golpista que atuava no Distrito Federal. Ele ficou conhecido como o Lobo do Tinder e foi preso em 05 de abril do ano passado. Suas vítimas eram geralmente pessoas que mantinham sua sexualidade em segredo, ou seja, que viviam no armário. Aliás, essas são as presas favoritas desses golpistas.

 O G1 diz o seguinte sobre o tal Lobo do Tinder:

De acordo com a investigação, o suspeito se aproximava de homens mais velhos, com boas condições financeiras e que mantinham a sexualidade em segredo. Em seguida, ele marcava um encontro na casa da vítima.

No local, ele sugeria o consumo de bebida alcoólica e, pouco tempo depois, usava uma faca para anunciar o assalto. O g1 tenta contato com a defesa do investigado.

O suspeito costumava roubar roupas de marcas, joias e ainda pedia transferências em dinheiro. Ele ia para os encontros com uma mochila, para que pudesse carregar os itens (leia mais aqui).


João Vitor Gomes, o golpísta conhecido 
como Lobo do Tinder


Em Manaus, outro golpista que agia de modo parecido foi preso. O nome dele é Lucas Machado da Silva, 20 anos. Sabe aquela história de "tenho local"? Pois bem, ele tinha uma quitinete alugada só para a prática dos crimes. Ele escolhia as vítimas através do Grindr. Ele contava com a ajuda de um adolescente para torturar e roubar as vítimas. Segundo o próprio bandido, ele fazia uma vítima por dia. A notíca vem do Portal do Holanda. Leia mais aqui.


Lucas Machado da Silva, golpista que usava o Grindr
Foto: Portal do Holanda


E ao contrário do que muita gente pensa, os golpes não são praticados apenas por oportunistas. As próprias empresas Tinder e Grindr estão sendo alvo de investigações por venderem dados de seus usuários para terceiros. O Correio Braziliense fez matéria falando sobre isso, como pode ser visto abaixo:

Os aplicativos de relacionamento Tinder e Grindr vendem dados pessoais de seus usuários a empresas terceirizadas, incluindo sua orientação sexual no caso do Grindr, em violação à normativa europeia, denunciou nesta terça-feira um organismo norueguês.

O Conselho de Consumidores da Noruega assegurou que o Grindr, destinado especificamente ao grupo LGBT, compartilha dados de GPS, direção IP, idade e sexo de seus usuários com múltiplas empresas para melhorar a eficiência dos anúncios publicitários (leia mais aqui).

Portanto, a repetida e desgastada alegação de que os apps de encontros garantem sua privacidade já não se sustenta. E, pior, partindo das próprias empresas que deveriam assegurar essa privacidade e segurança aos seus usuários.


O que penso sobre tudo isso


Primeiramente, é de cortar o coração o que já aconteceu com tanta gente por aí. É também muito angustiante pensar que, enquanto escrevo esse post, existe alguém no mundo sendo extorquido, sequestrado, torturado ou morto em encontro marcado por meio desses aplicativos. A realidade é que essa tecnologia que trazia a promessa de conectar pessoas para bons momentos juntos provou ser a mais eficaz para a pratica de crimes, uma vez que a própria vítima abre a porta de sua casa ou de algum ponto de encontro para aquele que será o seu próprio assaltante, sequestrador ou assassino.

Enquanto isso, esses aplicativos fingem se importar. Eles prometem tomar providências, mas nada de concretamente eficaz é feito, como se vê nesse documentário apresentado pelo Prime Video (Encontros Perigosos). As pessoas que falam foram vítimas de crimes através de aplicativos e não foram sequer ouvidas em suas queixas.

O que muitas pessoas deixam de perceber é que esses aplicativos são empresas sedentas por lucro. O problema é que enquanto elas lucram ao oferecerem possibilidades para encontros, o usuário pode morrer por ter acredito que tudo seria apenas diversão. É preciso reconhecer o perigo gravíssimo em que o uso desses aplicativos se constitui e buscar outras formas de encontro, romance e sexo.

O que está na palma da sua mão é apenas a ponta de uma extensa cadeia de produção onde você é a carne mais barata do mercado. Trata-se da mais descarada monetização tendo o seu corpo como base para o lucro deles. E se você morrer, milhares de outros virão em poucas horas substituir o lugar que você, defunto, deixou vago.

Obviamente, a culpa pelos crimes não é da vítima, mas do bandido que sequestra, rouba, estorque e/ou mata depois de usar todos os recursos possíveis para convencer sua presa de que ele não passava de alguém inofensivamente interessado nela. O problema é que talvez nada disso acontecesse se os aplicativos não fossem o ambiente perfeito para facilitar essas conexões entre o criminoso e a vítima em potencial. Na verdade, tudo parece muito divertido até o segundo capítulo. 

Nunca usei esses aplicativos em toda a minha vida, mas nunca deixei de encontrar e transar com caras legais quando quis. E quando encontrei o cara que amo e com quem vivo há mais de sete anos, no momento da escrita dessa postagem, não foi graças a qualquer um desses aplicativos ou mesmo sites na Internet. Foi tudo olho no olho, muita conversa e alguma checagem de informações antes de passarmos a primeira noite juntos. É claro que também é preciso tomar cuidado com os encontros fortuitos que podem acontecer em qualquer ambiente físico, mas quando você conversa com alguém sem a intermediação das tecnologias digitais, várias possibilidades de engano são eliminadas de imediato. Você estará provavelmente mais seguro ao encontrar alguém num espaço físico, público, e através de amigos em comum - por que não?

Obviamente, os apps de encontro não são os únicos meios utilizados por psicopatas e outros criminosos homofóbicos, transfóbicos e misóginos, mas são de longe os mais eficazes. O bandido pode ser uma pessoa linda, de fala mansa, e que diz tudo que você quer ouvir - talvez por dias, semanas e até meses - na esperança de que você mesmo abra sua porta para ele no seu momento de maior fragilidade e carência afetiva. Veja o que diz o site JusBrasil:

Brasil registra 54 crimes virtuais por minuto

Cada vez mais comuns, delitos cibernéticos fazem explodir o número de queixas nas delegacias e forçam revisão na lei

A cada minuto, 54 pessoas são vítimas de crimes cibernéticos no Brasil, segundo a multinacional Symantec, empresa de segurança na internet. O mundo virtual é campo fértil para os pedófilos e também para hackers que limpam contas bancárias e devassam arquivos pessoais na web, em busca de algo que possa ser usado para extorquir o dono do computador. Só nas duas delegacias especializadas de Belo Horizonte estão em andamento mil procedimentos - inquéritos abertos ou diligências iniciadas - de casos registrados em Minas (leia mais aqui).

Por isso mesmo, mantenha uma coisa em mente: Se você deveria desconfiar até de sua sombra em situações cotidianas, imagina quando se trata de um aplicativo de encontros onde um desconhecido, que pode ser tudo e qualquer coisa, conta com a capa de invisibilidade proporcionada pelo teclado do computador ou do celular. - sua cama pode virar seu caixão. Há muitas outras maneiras de encontrar e curtir pessoas. Seja criativo.

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