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TESTEMUNHAS DE JEOVÁ E SEXODIVERSIDADE

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TESTEMUNHAS DE JEOVÁ E SEXODIVERSIDADE Por Sergio Viula Fundada por Charles Taze Russell em XXXXX, a religião conhecida como Testemunhas de Jeová é uma das mais totalitárias do mundo. Confundida por muitos com as igrejas evangélicas, a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, ligada ao Corpo Governante contava com mais de oito milhões e duzentos mil membros. No Brasil, são pouco mais que 700 mil seguidores e 11.562 Salões do Reino das Testemunhas de Jeová (seus templos) no mundo todo. Esses números são de 2014, ultima contagem publicada até o momento desse artigo. Entre suas crenças mais conhecidas e repudiadas estão a de não doar e nem receber sangue sob hipótese alguma e a de não participar da vida cívica do país em que estejam inseridas. Porem, muitas outras crenças são estranhas à maioria das comunidades ditas cristãs. As Testemunhas de Jeová não se consideram ‘evangélicas’ quando termo é aplicado a igrejas protestantes mais recentes e pentecostais, mas gostam de se denomina

"Avental todo sujo de ovo": Veja como foi a estreia

Por Sergio Viula

‘Avental Todo Sujo de Ovo’: Casa Rio (Botafogo)





Fomos convidados para a estreia da peça Avental Todo Sujo de Ovo, dirigida por Mario Cardona Jr. e encenada pelas maravilhosas Ana Carolina Rainha, Gabrielle Joie, Nísia Rocha e pelo igualmente maravilhoso Van Furlanetti.

A chegada

Logo na entrada, fomos recepcionados por Nísia Rocha no papel de Noélia, uma tagarela senhora que cuida de uma quermesse em sua paróquia. Degustamos arroz-doce enquanto a anfitriã desfiava um rosário de fofocas locais com tiradas engraçadas sobre sua própria vida e sobre a vida dos outros. Apesar da desconstração, nada no cenário era fortuito. As conexões, porém, só ficariam nítidas ao longo do espetáculo.



Nisia Rocha no papel de Noélia trabalhando na quermesse da paróquia


Enquanto envolvia o público com sua prosa fluente, Noélia convidava pessoas da plateia para jogar damas e dominó. Em seguida, conduziu-nos à casa de sua amiga Alzira, representada por Ana Carolina Rainha, esposa de Antero, personagem encarnado por Van Furlanetti.


Dulceh Siqueira (jornalista) jogando dominó com um espectador.




Cardona, o diretor, jogando damas com um espectador.



Enquanto intercalavam falas divertidas com outras profundamente angustiadas, Noélia e Alzira arengavam sobre quase todo tipo de assunto, sendo tema recorrente a ausência de Moacir, filho de Antero com Alzira.

À medida que a peça avança, somos informados que o rapaz saíra de casa nove anos antes. Ao longo desse tempo todo, nenhum sinal de vida. Alzira revela-se uma mãe aflita, mas incapaz de qualquer autocrítica. Ao mesmo tempo em que sofria por não saber se o filho estava vivo ou morto, a angustiada progenitora agia como se não soubesse por que motivo ele teria sumido no horizonte.

Antero é um marido alienado. Passa o dia inteiro fora de casa, mas não trabalha desde que teve um lado paralisado por causada de um derrame. O belo e jovem ator Van Furlanetti fica irreconhecível sob a pele desse homem no fundo do poço.

Os diálogos travados por Noélia, Alzira e Antero criam expectativa no público sobre o que teria acontecido para que Moacir saísse de casa tão abruptamente e permanecesse incomunicável por quase uma década.


Andre Dias, Sergio Viula (nós), Ana Carolina Rainha e Gabrielle Joie (atrizes)



Um dos momentos mais marcantes da peça se dá quando Noélia e Alzira cantam um verso da música ‘Mamãe’, de Herivelto Martins e David Nasser. Além da emoção da própria cena, uma senhora com mais idade do que a média na plateia simplesmente decidiu fazer coro com as atrizes. Ao perceber isso, Nísia Rocha (Noélia) se aproximou dela e a envolveu perfeitamente na cena. Todos aplaudiram.

A música dá nome à peça. O título foi inspirado numa frase do verso cantado nesse momento do enredo.

As respostas só começam a aparecer próximo ao final da peça, quando Moacir chega em casa sem avisar. Na verdade, o filho que havia saído não era o mesmo que voltava agora. Pelo menos, não nos moldes rememorados por seus pais e por Dna. Noélia, madrinha do rapaz.

A belíssima Indienne é interpretada pela atriz Gabrielle Joie, que também atua em Bom Sucesso, novela das 7 produzida pela Rede Globo. Quando ela entra em casa, a mãe está sozinha. As duas falam conversam, mas a mãe continua em negação.

Ouvi de uma mulher trans ao final do espetáculo que o drama de Indienne deveria ter recebido mais espaço. Ela disse que gostaria de ver um nível mais profundo de problematização sobre as questões vividas por pessoas trans, especialmente as que saem de casa por causa da incompreensão e do preconceito da família.

Acredito que a crítica procede. De fato, os personagens Alzira e Noélia, principalmente esta, falam por muito tempo, enquanto a jovem Indienne poderia ter ocupado mais espaço em cena e discorrido sobre os problemas enfrentados por ela em função da transfobia familiar.

Deixarei os diálogos que surgem a partir do reencontro entre "Moacir" (Indienne) e sua família, bem como seu desfecho, a cargo da imaginação de cada leitor. Jamais faria spoilers sobre o final de um espetáculo.

De qualquer modo, quem desejar conferir o espetáculo pessoalmente poderá assisti-lo na Casa Rio.


Mario Cardona Jr. dando as boas-vinda ao público na abertura


Três merecidos destaques

1. Vida real: É admirável a energia de Nísia Rocha (atriz que faz Dna. Noélia). Mesmo depois de uma intervenção para colocação de marcapasso, ela não deu qualquer sinal de cansaço antes, durante e depois do espetáculo. Nísia simplesmente irradiava alegria e força imbatíveis dentro e fora do palco. A estreia da peça estava prevista para data anterior a ontem, mas foi adiada justamente por causa da colocação do marcapasso. Nísia, porém, estava ali inteira e faceira.

2. Outro destaque vai para Ana Carolina Rainha, que performou Alzira sem qualquer contradição. A atriz conseguiu eliminar até os mais sutis vestígios da mulher poderosa e envolvente que ela é na vida real para se tornar Alzira - sua mais perfeita antítese. Mãe de Moacir é uma mulher angustiada, sofrida, mal arrumada, dona de gestual e fala típicos de uma dona-de-casa muito pobre do interior. Ana Carolina Rainha desaparece completamente em Alzira durante toda sua atuação.

3. Como deixar de ressaltar o excelente trabalho de Mario Cardona Jr.? Além do êxito na direção do espetáculo, ele é de uma incomparável doçura para com todos. Cardona, que atuou em novelas da Rede Record, tocou profundamente minhas emoções quando representou Stephen, um homem cego e gay que reencontra a alegria de viver graças a um massagista chamado Adam. Sua performance foi implacável, especialmente quando interagia com Ana Carolina Rainha, a irmã carola e homofóbica de Adam. Esse espetáculo (As Divinas Mãos de Adam) teve seu texto escrito pelo meu amigo Roberto Muniz e foi exibido no Parque das Ruínas (Santa Tereza, Rio) em maio desse ano. Cardona me disse que a peça deverá retornar aos palcos, mas ainda não tem data específica. Enquanto isso, você poderá conhecer seu trabalho como diretor do espetáculo "Avental Todo Sujo de Ovo" na Casa Rio (Botafogo).


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O espetáculo acontece todas as segundas-feiras, a partir das 21h:45m. A última apresentação será em 16 de dezembro. Não perca.



Casa Rio

Endereço: Rua São João Batista, 105, Botafogo, Rio de Janeiro

Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)

Duração: 75 minutos

Classificação: 14 anos

Saiba mais sobre a Casa Rio AQUI.



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Foto publicada por Ana Carolina Rainha

Com nosso diretor ! @mariocardonajr AVENTAL TODO SUJO DE OBO ! Gratidão @pauloeduardocal @waldopiano @selene83.br @priscilla_aragaoo @meimourao @marintrindade @dulceh_siqueira @komulinkaagendacultural ao elenco: @anacarolinarainha @gabejoie @nisia.rocha @vanfurlanetti a @casa_rio105 @funarj e a todos que foram nos assistir. Foi MARAVILHOSO! — em Casa Rio.



Ficha técnica

Peça: Avental Todo Sujo de Ovo

Texto: Marcos Barbosa

Desenho de Luz : Anauã Vilhena

Direção: Mario Cardona Jr.

Figurino e Cenário: Ana Carolina Rainha , Nísia Rocha, Meirese 
Rosemberg

Elenco: Ana Carolina Rainha, Gabrielle Joie, Nísia Rocha, Van Furlanetti

Trilha sonora: Paulo Eduardo Anzai

Assessoria de Imprensa e Mídias sociais: Dulce Siqueira

Produção Executiva: Marina Trindade

Foto e designer: Priscila Aragão

Produção Vocal: Waldo Piano

Realização: Cia Popular Versátil.

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