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15 dias com Clara - essa fofura de 1 ano e 45 dias

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Por Sergio Viula Clara: Segundo dia de nascimento e com os olhinhos abertos Minha filha e meu genro haviam se tornado pais somente um ano e 45 dias antes de nos visitarem. Apesar da distância, acompanhamos tudo o que podíamos, graças às tecnologias da comunicação. Testemunhamos os nove meses de gravidez, a internação para o parto - que acabou sendo cesariana depois de muita espera e pouca dilatação -, o nascimento, o crescimento daquela bebezinha linda, que chegou mudando a vida de todos nós de muitas maneiras diferentes, e os primeiros passeios, a primeira viagem a uma cidade próxima (Évora) e os muitos dias que ela já passou na creche, aprendendo muitas coisas fantásticas de modo lúdico e com muito carinho das tias cuidadoras e educadoras. A tia da creche fazendo cookies com eles. Depois, todos comeram essas delícias feitas colaborativamente. Um video que eu fiz com fotos do Halloween na creche. Ela é a bruxinha mais fofa, concorda? Quem já segue esse blog há um tempo sabe que chegue

Casal gay: Quando uma entrega fala mais do que mil palavras

Por Sergio Viula



Muita gente nunca teve contato com um casal gay na intimidade de seu lar. Para muita gente, esse ainda é um pensamento que causa estranheza. Sim, porque a maioria das pessoas pensa da seguinte maneira:

Gay = Parada LGBT 
Gay = Boates e festas
Gay = Sexo em primeiro lugar
Gay = Bate-cabelo e passinhos da Beyoncé ou da Gaga

E por aí vai. 

Falando por mim mesmo, sim, eu adoro a Parada LGBT. Sim, eu vou a boates, mesmo que não tanto quanto eu gostaria. Sim, eu adoro sexo, mesmo que não venha em primeiro lugar. Se a gente pensar direitinho, a gente passa menos tempo transando do que fazendo a maior parte das outras coisas na vida. Não, eu não sei dançar como a Beyoncé ou a Gaga, infelizmente. E não tenho cabelão para bater na pista de dança. 

Mas, por que foi que eu falei nisso?

Simplesmente, porque quando as pessoas entram na intimidade da gente, mesmo que seja só para fazer uma entrega, elas têm um "choque de realidade" e descobrem que gay não é figurinha que brota no carnaval e em ocasiões semelhantes e depois evapora como a Jennie para dentro de uma garrafa. Pelo contrário, a vida de um casal gay não é nada diferente da vida de qualquer outro casal e inclui todas as rotinas domésticas: lavar roupa, fazer comida, lavar louça, aspirar o pó da casa, fazer compras no supermercado, etc.





A entrega vale mais que mil palavras

Anteontem, comprei uma máquina de lavar pela internet. A loja foi a americanas.com. Não foi a primeira vez que comprei com eles. Sempre fui muito bem atendido - tudo muito prático. O processo todo - da compra à entrega - sempre é muito eficiente e confiável. Tanto que comprei a máquina por volta da hora do almoço de segunda-feira e recebi o eletrodoméstico em casa às 8:00 da manhã desta quarta-feira, ou seja, menos de 48 depois da confirmação de pagamento.

O curioso nessa história é que o caminhão que fez a entrega tinha três homens: o motorista e dois carregadores - todos no estilo macho educado, mas super masculino até para respirar. hehehe 

Fui ao portão recebê-los e pensei. Eles estavam super à vontade conversando naquele estilo Clube do Bolinha. Quero ver quando chegarem lá dentro e virem aquela cama box de casal da Ortobom com as roupas ainda fora de lugar, porque acabamos de acordar. Andre colocou um boné para não perder tempo penteando o cabelo e sentou no sofá. 

Os dois homens que carregaram a máquina entraram. 

Quando viram que havia dois homens na casa e uma cama de casal, a conversa ficou mais curta, mas não deixou de ser cordial. Eles foram super educados, mas fiquei pensando: Eles estão falando pouco porque estão tentando entender o nexo entre o ambiente e os moradores, ou seja, a relação. Continuei conversando normalmente com eles e elogiei a eficiência e a rapidez da entrega. Eles agradeceram. Assinei tudo e eles saíram.

Certamente, os homens da entrega conversaram muito no caminhão. As possibilidades são as mais variadas, mas uma coisa me parece certa: o diferente ou raro chama nossa atenção e geralmente desencadeia comentários, porque enquanto conversamos, organizamos as ideias.

No final das contas, uma imagem diz mais que mil palavras. E a imagem de hoje foi: um casal homoafetivo comprou uma máquina nova para substituir sua antiga que havia quebrado e não havia nada de excepcional nisso, exceto pelo fato de que uma coisa é ouvir falar sobre casais gays e outra coisa é ver que eles existem mesmo. Casamento gay não é mito urbano e nem lenda da roça. No final das contas, quando entramos em contato com o outro, percebemos que somos todos muito parecidos, ainda que nunca idênticos. E nisso reside a beleza de ser humano: todas essas diferenças incidentais têm uma coisa em comum: nossa humanidade, precisamente.


Sergio e Andre
E talvez nem tenha sido a primeira vez que eles entraram numa casa onde vivem dois homens ou duas mulheres que se amam, mas pode ser que tenha sido uma das poucas em que encontraram os dois em casa. Se fosse ontem, só teriam visto o Andre, porque eu saí cedo e voltei super tarde - trabalho, trabalho, trabalho.

De qualquer modo, daqui a pouco, eles voltam. Tem um microondas para chegar também, porque o que tinha aqui em casa quebrou faz tempo e eu não me dei o trabalho de substituir, mas está fazendo falta. 

Comentários

  1. Amo seus textos, são precisos, claros, fortes e delicados ao mesmo tempo, tal qual o autor. Beijos

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    1. Oh, Cecília, eu adoro seu jeito meigo de ser. Você é uma daquelas pessoas de quem sinto muita saudade desse que deletei meu perfil no FB. Obrigado por me encontrar aqui de vez em quando. Vamos marcar outro encontro para passarmos outra tarde maravilhosa como aquela que tivemos há alguns meses. Beijos, menina linda!

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