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Sobre "curas" e "terapias" para "correção" da orientação sexual e da identidade de gênero de pessoas LGBTI+ no Brasil

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  Por Sergio Viula Hoje, dia 30/06/21, recebi da All Out um convite para ler um relatório de pesquisa sobre as chamadas "terapias de conversão" (a famigerada "cura gay"). Esse trabalho é de um valor imenso, pois essas terapias são uma verdadeira violência contra a psiquê das vítimas. O relatório completo pode ser acessado aqui:  https://s3.amazonaws.com/s3.allout.org/images/All_Out_Instituto_Matizes_Relatorio_Completo_Entre_Curas_E_Terapias.pdf  Também na data de hoje, foi feito um painel com as pessoas que organizaram o relatório. Esse painel pode ser assistido aqui:  https://www.youtube.com/watch?v=DvGhjGrVKyE Não deixe de acessar essas informações. Elas são fundamentais para que a nossa capacitação e empoderamento contra essa série de violências contra a pessoa LGBT+, especialmente na infância e na adolescência.

Pastor acusado de pedofilia pela ex-mulher, a pastora Bianca Toledo, fala sobre o que passou.

Por Sergio Viula
Atualizado às 18:46 de 13/07/16.



Não sei se vocês lembram, mas a Pastora Bianca Toledo fez um vídeo com suporte textual sobre o suposto crime de pedofilia de seu marido Felipe Heiderich. O Blog Fora do Armário enfocou o assunto, porque o caso se tornou público e notório. Veja aqui: https://www.xn--foradoarmrio-kbb.com/2016/07/escandalo-pastora-bianca-toledo-fala.html


Quando publiquei o caso aqui no Fora do Armário, eu disse que era preciso tomar cuidado com esse tipo de linchamento público, porque tudo estava muito contraditório no discurso dela. Além disso, ela se associou a pessoas que geralmente abordam o tema de modo intempestivo e desequilibrado como numa cruzada contra o ex-marido.

Agora, Felipe vem a público e revela o que aconteceu com ele em casa, no manicômio e na prisão. Veja o que ele fala no vídeo e tire suas próprias conclusões, mas não deixe de ler o post anterior, preferencialmente antes de assistir o vídeo.



A cruzada contra pessoas LGBT não poupa estratégias, mesmo as mais sórdidas, para difamar, excluir e até destruir as pessoas que são identificadas assim. O principal pretexto é geralmente esse que usaram contra Felipe.

Se ele for culpado, como eu disse antes, deve ser condenado. Mas além da acusação da ex-mulher e pastora Bianca Toledo, os juízes ainda não encontraram qualquer evidencia, caso contrário ele não estaria solto agora. Além disso, a pastora revela homofobia em cada coisa que diz sobre a suposta homossexualidade de Felipe - tema que ele não aborda em seu vídeo, diga-se de passagem.

Infelizmente, a considerar o discurso dele, parece-me que o pastor acusado continua subjugado pelas mesmas crenças que ainda castram tantas pessoas. Por outro lado, ele tem se inspirado nessa fé para lutar e esclarecer as acusações que lhe fizeram. Tomara que tudo se esclareça mesmo, doe a quem doer.

Veja o nível do discurso de Magno Malta, um senador ligado à bancada evangélica, referindo-se ao Felipe Heiderich (o pastor do primeiro vídeo), estimulado pela pastora Bianca Toledo.

Malta condena, desumaniza, tripudia sobre o nome do acusado sem qualquer prova ou sentença judicial sobre o caso. Veja o discurso desse senador e compare-o com o relato de Felipe. 

A investigação segue, mas o que chama atenção é que Magno Malta diz que "foi buscar os fatos". Que fatos, porém, se nada foi comprovado ainda? Tudo o que ele tinha era um relato, uma acusação, que pode estar redondamente equivocada. 

Felipe passou pelo manicômio e pela prisão. Levando em conta o apocaliptismo de gente como esse Magno Malta, não podemos aceitar prontamente que esse discurso apaixonado seja tão-somente motivado pelo interesse no bem-estar da criança, uma vez que nem havia sido feita qualquer investigação, e que esse parlamentares que se inscrevem na mesma comunidade de fé que Malta geralmente são tempestuosos no que diz respeito à sexualidade humana e adoram associá-la a parafilias e desordens quando percebem qualquer sinal de diversidade. Felipe pode ser gay - ninguém sabe. Pode ser pedófilo ou não, assim como tantos outros homens heterossexuais, homossexuais e bissexuais. Mas essa acusação de crime não está demonstrada.  Por que fazer um discurso incendiário como esse, então?

A motivação pode ser a de se distanciar de Felipe, à mera menção de pedofilia, mesmo que ainda não comprovada. Afinal, Malta faz questão de defender sua classe: pastor pedófilo não é pastor; é criminoso disfarçado, oportunista - conforme a introdução de seu pronunciamento faz questão de deixar claro. Será que em nome de salvar a honra da classe, ele poderia estar linchando publicamente a honra de alguém que nunca cometeu crime, só porque a acusação (fundada ou infundada, não se sabe ainda) lhe causa pânico, esta seria mais uma razão para que o público questionasse a honestidade da classe pastoral de um modo geral e da comunidade que ela preside como um todo?

De novo, se Felipe for achado culpado, deve ser condenado. 

Mas condená-lo - e Malta queria prisão perpétua, porque não pode advogar a prisão de morte como disse no discurso (!!!) - é uma temeridade. 

E de novo, ele inscreve a suposta orientação homossexual de Felipe no mesmo pronunciamento em que vocifera contra a suposta pedofilia de Felipe (nada comprovada). Enquanto isso, os grandes "inocentes" nessa história toda são os "verdadeiros" pastores - entre eles os que lançaram um cruzada contra Felipe sem a menor garantia de que ele fosse culpado de algum crime. O senador e evangélico Magno Malta não perde a oportunidade de colocar a homossexualidade num contexto de pedofilia, mesmo que pretextando que não é o assunto e dizendo que se Felipe é gay, ele (o senador) "não tem nada a ver com isso". Tem certeza, senador? 



Veja o antes e depois de Felipe (agora solto) depois dessa crise:


Na foto à direita, depois do manicômio e da prisão.

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ATUALIZAÇÃO EM 03/06/19:

Acusado por Bianca Toledo de estuprar criança de 5 anos, pastor Felipe Heiderich é absolvido

Da Redação
portal@hojeemdia.com.br
12/04/2019 - 18h20 - Atualizado 18h23
Felipe Heiderich e Bianca Toledo
Felipe Heiderich e Bianca Toledo

O "caso Bianca Toledo", que se arrasta desde 2016, ganhou um novo capítulo nessa semana. Acusado por Bianca de abusar sexualmente do filho dela, na época com 5 anos, o pastor Felipe Heiderich foi absolvido nessa segunda-feira (8). A decisão é assinada pelo juiz Tiago Fernandes de Barros e o processo corre em segredo de Justiça no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A decisão ainda cabe recurso. 
O advogado do réu, Leandro Musen, acredita que mesmo que a acusação recorra da decisão, dificilmente a absolvição será revertida. "Porque foi o próprio Ministério Público que opinou pela absolvição, mesmo órgão que ofereceu a denúncia. Quando foi feita a denúncia, foram levados em conta dois laudos particulares que no decorrer do processo foram julgados parciais. Eu sempre acreditei na inocência do Felipe, ele vinha sofrendo muito com a repercussão dessa história pela sociedade", conta. 
Já a ex-mulher de Felipe, a cantora e também pastora Bianca Toledo, publicou uma nota em suas redes sociais sobre a absolvição do ex-marido, onde sinaliza que deve recorrer da decisão. Confira na íntegra:
 

Em 2016, quando foi acusado pelo crime de estupro de vulnerável, Felipe chegou a ficar sete dias preso, mas depois foi liberado para responder ao processo em liberdade.   

Tudo começou quando Bianca divulgou um vídeo em suas redes sociais dizendo que o então marido Felipe Heiderich era pedófilo e homossexual. Ela e o ex-marido chegaram a fundar um ministério antes das denúncias, a Associação Mundial de Evangelização e Ensino, que foi encerrado com a separação do casal. 

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