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15 dias com Clara - essa fofura de 1 ano e 45 dias

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Por Sergio Viula Clara: Segundo dia de nascimento e com os olhinhos abertos Minha filha e meu genro haviam se tornado pais somente um ano e 45 dias antes de nos visitarem. Apesar da distância, acompanhamos tudo o que podíamos, graças às tecnologias da comunicação. Testemunhamos os nove meses de gravidez, a internação para o parto - que acabou sendo cesariana depois de muita espera e pouca dilatação -, o nascimento, o crescimento daquela bebezinha linda, que chegou mudando a vida de todos nós de muitas maneiras diferentes, e os primeiros passeios, a primeira viagem a uma cidade próxima (Évora) e os muitos dias que ela já passou na creche, aprendendo muitas coisas fantásticas de modo lúdico e com muito carinho das tias cuidadoras e educadoras. A tia da creche fazendo cookies com eles. Depois, todos comeram essas delícias feitas colaborativamente. Um video que eu fiz com fotos do Halloween na creche. Ela é a bruxinha mais fofa, concorda? Quem já segue esse blog há um tempo sabe que chegue

Lelinho – um gatinho diferente

 

Lelinho – um gatinho diferente 


(#TBT)


Republicado aqui em 13/01/2022.


Ricardo, Jaqueline e Luísa são uma família fantástica. Estabelecemos amizade com eles logo que os três vieram morar numa casa alugada pelos meus pais. De inquilinos a amigos em pouquíssimo tempo, os três passaram a frequentar nossa casa e nós a deles. Atualmente, eles moram em outra cidade.

Mas, em 2012, passamos o natal com eles e outros familares deles. A noite foi divertidíssima, mas o destaque foi mesmo para Lelinho, esse gato fofinho que vocês podem ver no meu colo na foto acima.

Lelinho foi sempre um mascote muito especial: nunca gostou de ir para a rua. Pelo contrário, o bichano adorava passar o dia em casa relaxando, comendo e recebendo cafuné. 

Enquanto Lelinho era puro sossego, mesmo depois que uma gatinha foi adotada por seus donos, dois gatos vira-latas extremamente excitados por causa da nova gatinha infernizavam o juízo de Jaqueline e Ricardo.

O problema era que a gatinha ainda não havia chegado à puberadade, mas os gatos insistiam num miadeiro sem fim para atrair a pobrezinha, que nem dava bola para os dois.

Mesmo assim, os dois pilantrinhas ficavam pelos telhados tentando entrar na casa da ninfeta. Em dado momento, pegamos o angorá montado sobre a coitada. Ele não conseguiu o que desejava porque foi afugentado de volta para a rua a tempo. Assim que o penetra foi expulso, a bunyta continuou brincando tranquilamente sem imaginar que por pouco não ficou sem cabaço antes da hora.

Nessa mesma noite de natal, pouquíssimo tempo depois disso, o comparsa do angorá – um gato branco e muito felpudo – esgueirou-se por entre as mesas enquanto conversávamos distraidamente, chegando à cozinha, que ficava do outro lado da casa.

A mesa de jantar estava na garagem, um espaço coberto e amplo onde podíamos nos sentar confortavelmente, mesmo que houvesse 30 convidados.

Quando um de nós foi buscar algo na cozinha, deu de cara com o invasor, que foi posto para fora com toda a gentileza.

Pensamos que esse fosse o fim da novela. Todavia, para nossa surpresa, o clímax dessa trama ainda estava por vir.

Sem a menor explicação para seu súbito desejo de ir à rua, Lelinho, que não gostava de sair de casa, fez a loka e deu um perdido na amiguinha ninfeta e em Jaqueline, sua dona, que sempre tentava manter seus bichanos do lado de dentro do portão, a fim de evitar desgostos, tais como brigas com gatos valentões, intoxicação por ingerir alguma coisa imprópria ou contágio por doenças de gatos ‘vira-latas’ geralmente não vacinados.

Jaqueline foi colocar seu “filho felpudo” para dentro de casa. E foi aí que veio a grande surpresa da noite. 

Os dois gatos pegadores ignorados pela donzela felina estavam se divertindo lindamente com Lelinho. Não, eles não estavam brincando com bolinhas ou caçando insetos –  coisas que gatos adoram. O mais resolvido dos dois machões eriçados de tesão já estava em cima de Lelinho. Se houve barraco, tiro e gritaria da parte do fofucho? Negativo. Os três eram só paz e amor mesmo. 

Quando Jaqueline me contou isso, eu dei uma risada e pensei: olha que coisa interessante, não é? Um gato gay se divertindo com dois pit-gatos nem um pouco homofóbicos e cheios de amor para dar.

Aliás, diga-se de passagem, as relações entre indivíduos do mesmo sexo são comuns entre centenas de espécies de animais, enquanto a homofobia é um sentimento/comportamento destrutivo só encontrado entre humanos, não todos, pois alguns povos celebravam as relações entre pessoas do mesmo sexo sem o menor problema. Essa homofobia tão presente no Brasil é fruto de ignorância geralmente abastecida por crenças profundamente equivocadas sobre as sexualidades humanas.

Foi, no mínimo, curioso ver que dois gatos dispostos a dar tudo pela xerequinha da nova vizinha não dispensaram uma boa suruba com o finíssimo melhor amigo dela. Lelinho, que nunca deu bola para as garotas de sua espécie, não se fez de rogado quando os dois boys magia se jogaram para cima dele. 

Lelinho e eu
Lelinho e eu

Lelinho continuou não dando bola para as amigas. Já os dois pegadores seguiram caçando a xana da bichana e dando muito trabalho aos donos dessa e de outras amapoas felinas da vizinhança. 

Graças a Lelinho e sua liberalidade, naquela noite de natal de 2012, eu desejei que em 2013 as pessoas tivessem mais tesão, mais amor, mais liberdade, e menos medo, porque liberdade, felicidade e diversidade são o que há de mais fundamental na vida! E enquanto o amor não faz mal ao próximo, a homofobia mata

É fácil viver e deixar viver. E sempre sai mais barato para todo mundo.

Esse continua sendo o meu desejo para todos, todas e todes nesta quinta-feira, 16/01/2020, dia em que atualizei esse texto para um TBT no Facebook.

Nota: TBT é uma gíria popular que significa throwback Thursday, e pode ser traduzida do inglês como quinta-feira do retorno ou quinta-feira do regresso. A gíria, simbolizada por #tbt, é utilizada pelos usuários de redes sociais como hashtag para marcar fotos que se refiram ao passado e/ou que deem saudades.

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